A promotoria do Tribunal Especial de Serra Leoa sustentou nesta terça-feira que o ex-presidente da Libéria, Charles Taylor, não só financiava os rebeldes em Serra Leoa, como os dirigia e dava instruções com o fim de controlar as minas de diamantes.
A afirmação foi feita nesta terça-feira pela promotora-chefe do caso, Brenda Hollis, que abriu as alegações finais da acusação, última fase no processo contra o ex-ditador liberiano por crimes de guerra.
“Todas as instruções dadas à Frente Unida Revolucionária em Serra Leoa (RUF) provinham de Charles Taylor (…) que dirigia os rebeldes para atingir seus objetivos de controlar o território, a população (…) e assim tomar o controle dos recursos de Serra Leoa, especialmente dos diamantes, que são fáceis de transportar e de colocar no mercado”, declarou Hollis.
A promotoria alegou ainda que Taylor, de 63 anos, estava por trás da “campanha de terror” das forças da RUF sobre a população de Serra Leoa, que ameaçavam de morte quem desobedecesse às instruções do ex-presidente liberiano.
“Taylor criou condições de terror e decidia sobre a vida e a morte (…)”, afirmou a promotora aos juízes, aos quais lembrou o tipo de atrocidades cometidas durante a guerra civil no país africano.
“As pessoas eram queimadas vivas em suas casas, eram decapitadas, as crianças eram enterradas vivas na frente das mães (…) e esse terror era proposital”, afirmou Hollis.
A promotora também pediu aos juízes que “revisem cuidadosamente” as provas da defesa e as declarações de Taylor no julgamento, porque “estão cheias de contradições”.
Nesta fase do julgamento, a defesa e a acusação apresentam seus últimos argumentos aos juízes, que devem emitir uma decisão no final de 2011.
No início da audiência desta terça-feira, o advogado de Taylor, Courtenay Griffiths, abandonou a sala como protesto pela recusa dos juízes em aceitar um documento apresentado fora de prazo.
Griffiths considerou que caso o documento não fosse aceito, não poderia defender seu cliente adequadamente, visto que continha as linhas de raciocínio de suas alegações orais.
Ainda não se sabe se os juízes voltarão a chamar a defesa para que pronuncie seus argumentos finais de forma oral.
Taylor se declarou inocente das 11 acusações que pesam contra ele e negou que entregasse armas às forças do RUF em troca de receber os chamados “diamantes de sangue” extraídos pelos rebeldes.