O presidente americano, Donald Trump, está confiante de que conseguirá, nesta quarta-feira (2), a aprovação final pelo Congresso de seu robusto projeto de lei orçamentária federal para selar seu legado presidencial.
Na terça-feira, os senadores do Partido Republicano aprovaram o pacote por um voto, após 27 horas de debates.
O texto aumentará a dívida nacional e imporá os maiores cortes no programa de seguro de saúde pública Medicaid desde seu lançamento, na década de 1960.
O projeto foi aprovado na Câmara dos Representantes em maio, mas retorna à casa para sua adoção formal. Seu sucesso, no entanto, não está garantido, pois muitos legisladores republicanos expressaram publicamente sua aversão a certos aspectos da lei.
– A agenda de Trump –
“Este projeto de lei é a agenda do presidente Trump e o estamos transformando em lei”, disse, em um comunicado, o presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson. Segundo ele, sua bancada está “preparada para concluir o trabalho”.
O pacote cumpre muitas das promessas de campanha de Trump: aumenta os gastos militares, financia uma campanha de deportação de migrantes e mobiliza US$ 4,5 trilhões (R$ 24,52 trilhões) para estender seu alívio fiscal no primeiro mandato. Mas adiciona US$ 3,3 trilhões (R$ 17,98 trilhões) de dívida ao crescente déficit do país.
Os falcões fiscais estão incomodados com os cortes de gastos, que, segundo eles, não cumprem o prometido.
Johnson precisa negociar em margens muito apertadas. Apenas três membros republicanos do Congresso podem votar contra o projeto e mais de 20 se opõem abertamente a ele.
“Tenho dificuldade em imaginá-lo aprovado como está. Há algumas coisas inacreditavelmente ruins aqui”, disse o conservador Andy Biggs à rádio local KTAR News.
Os congressistas devem votar na manhã desta quarta-feira, embora tenham dois dias de antecedência antes do prazo final de Trump, 4 de julho, Dia da Independência dos Estados Unidos.
Há mais uma variável em jogo: o clima.
Muitos congressistas da Câmara baixa partiram para seus distritos eleitorais à espera da votação no Senado e deviam voltar a Washington na terça-feira, mas fortes tempestades provocaram o cancelamento de centenas de voos. Diante desta situação, Johnson poderia adiar a votação final.
O texto de mais de 800 páginas foi aprovado no Senado após uma série de ajustes que o empurraram ainda mais para a direita em alguns pontos.
Um conservador se opôs porque aumentaria a dívida do país, e dois moderados se opuseram devido aos cortes no seguro de saúde.
– “Vergonha” –
Segundo analistas independentes, as principais beneficiárias da lei serão as famílias mais abastadas, enquanto algumas estimativas calculam que 17 milhões de pessoas vão perder seu seguro de saúde e vários hospitais devem fechar.
As mudanças na ajuda alimentar federal farão com que milhões de americanos pobres percam o acesso aos cupons de alimentos.
Trump pressiona os indecisos, como fez no passado.
“Nossa nação fará uma fortuna este ano, mais do que qualquer um dos nossos concorrentes, mas só se a lei Grande e Bela for APROVADA”, escreveu o presidente, nesta quarta-feira, em sua plataforma, Truth Social.
Um sinal verde do Congresso seria uma grande vitória para Trump, que tem sido criticado por governar por decreto.
Os democratas do Congresso planejam usar o controverso projeto de lei para mudar o controle da Câmara nas eleições de meio de mandato, em 2026.
O líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, o considera uma “vergonha” e lamentável “que os republicanos da Câmara continuem se ajoelhando à agenda extremista de Donald Trump”.
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