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Professor universitário morre em atentado a bomba em Teerã

Arquivo Geral

12/01/2010 0h00

Um professor universitário iraniano, especialista em energia nuclear, morreu hoje devido à explosão de uma bomba em frente à casa dele, no norte de Teerã, informou a televisão estatal por satélite “PressTV”.

O docente, identificado como Massoud Mohammadi e que trabalhava na Universidade de Teerã, foi vítima de um atentado com uma motocicleta-bomba acionada aparentemente por controle remoto no bairro de Qeytariyeh, acrescentou a fonte, sem dar mais detalhes.

Pouco após a notícia, o procurador-geral de Teerã, Abbas Jaafari Dowlatabadi, confirmou o ataque e descreveu a vítima como “especialista em energia nuclear”.

“Uma moto estacionada junto ao automóvel dele explodiu esta manhã, quando o professor entrava no veículo”, afirmou.

“Seu cadáver foi levado ao escritório do legista. Foi aberta uma investigação para encontrar os culpados e conhecer os motivos”, acrescentou Dowlatabadi, citado pela agência de notícias local “Isna”.

As televisões oficiais em persa e árabe descreveram o atentado como uma “ação terrorista” e culparam “grupos contrários à Revolução”.

Segundo o boletim da televisão estatal, Massoud Mohammadi era um professor da Revolução, que morreu como mártir em um atentado cometido por elementos antirrevolucionários e agentes da opressão mundial.

A rede oficial em árabe “Alalam” foi mais precisa e, citando fontes “bem informadas”, mas não identificadas, sugeriu que o ataque poderia ser obra do movimento de oposição no exílio Mujahedin Khalq, que o regime iraniano considera terrorista.

É o primeiro atentado destas características do qual se tem notícia em Teerã, desde que, em 13 de junho, explodiu a crise política e social que divide o país.

Naquela data, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas do país para protestar contra a reeleição do presidente, Mahmoud Ahmadinejad, que a oposição considera fruto de uma “fraude maciça”.

Desde então, as mobilizações aconteceram ao longo do país, apesar da ação repressiva das forças de segurança e do encarceramento de milhares de pessoas, muitas delas responsáveis da oposição.

A crise se agravou em 27 de dezembro, dia sagrado da Ashura, quando os protestos voltaram a cair na violência, com a morte de pelo menos oito pessoas, segundo números oficiais.

Além disso, nos dias seguintes, foram detidos mais de 100 ativistas da oposição, jornalistas e estudantes universitários.

O regime iraniano acusou países como Estados Unidos e Reino Unido de promover os distúrbios e afirma que, dos mesmos, participam membros do movimento opositor no exílio.

As universidades se transformaram nos últimos meses em um dos cenários da disputa política e social que divide o regime iraniano.

Além da suposta expulsão de docentes afins à oposição, estão os protestos dos estudantes e o boicote a aulas e provas em diversas cidades do país.

Grupos universitários ligados à oposição denunciaram que, no campus, foram introduzidos elementos das milícias islâmicas Basij, que foram chaves na repressão dos protestos que ocorrem no país há seis meses.

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