Um professor universitário iraniano, especialista em energia nuclear, morreu hoje devido à explosão de uma bomba em frente à casa dele, no norte de Teerã, informou a televisão estatal por satélite “PressTV”.
O docente, identificado como Massoud Mohammadi e que trabalhava na Universidade de Teerã, foi vítima de um atentado com uma motocicleta-bomba acionada aparentemente por controle remoto no bairro de Qeytariyeh, acrescentou a fonte, sem dar mais detalhes.
Pouco após a notícia, o procurador-geral de Teerã, Abbas Jaafari Dowlatabadi, confirmou o ataque e descreveu a vítima como “especialista em energia nuclear”.
“Uma moto estacionada junto ao automóvel dele explodiu esta manhã, quando o professor entrava no veículo”, afirmou.
“Seu cadáver foi levado ao escritório do legista. Foi aberta uma investigação para encontrar os culpados e conhecer os motivos”, acrescentou Dowlatabadi, citado pela agência de notícias local “Isna”.
As televisões oficiais em persa e árabe descreveram o atentado como uma “ação terrorista” e culparam “grupos contrários à Revolução”.
Segundo o boletim da televisão estatal, Massoud Mohammadi era um professor da Revolução, que morreu como mártir em um atentado cometido por elementos antirrevolucionários e agentes da opressão mundial.
A rede oficial em árabe “Alalam” foi mais precisa e, citando fontes “bem informadas”, mas não identificadas, sugeriu que o ataque poderia ser obra do movimento de oposição no exílio Mujahedin Khalq, que o regime iraniano considera terrorista.
É o primeiro atentado destas características do qual se tem notícia em Teerã, desde que, em 13 de junho, explodiu a crise política e social que divide o país.
Naquela data, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas do país para protestar contra a reeleição do presidente, Mahmoud Ahmadinejad, que a oposição considera fruto de uma “fraude maciça”.
Desde então, as mobilizações aconteceram ao longo do país, apesar da ação repressiva das forças de segurança e do encarceramento de milhares de pessoas, muitas delas responsáveis da oposição.
A crise se agravou em 27 de dezembro, dia sagrado da Ashura, quando os protestos voltaram a cair na violência, com a morte de pelo menos oito pessoas, segundo números oficiais.
Além disso, nos dias seguintes, foram detidos mais de 100 ativistas da oposição, jornalistas e estudantes universitários.
O regime iraniano acusou países como Estados Unidos e Reino Unido de promover os distúrbios e afirma que, dos mesmos, participam membros do movimento opositor no exílio.
As universidades se transformaram nos últimos meses em um dos cenários da disputa política e social que divide o regime iraniano.
Além da suposta expulsão de docentes afins à oposição, estão os protestos dos estudantes e o boicote a aulas e provas em diversas cidades do país.
Grupos universitários ligados à oposição denunciaram que, no campus, foram introduzidos elementos das milícias islâmicas Basij, que foram chaves na repressão dos protestos que ocorrem no país há seis meses.