O procurador-geral do Zimbábue investiga os opositores ao partido do governante do país, Robert Mugabe, citadas nos telegramas secretos da diplomacia americana vazados pelo site WikiLeaks, com intenção de realizar ações legais contra eles, informou neste sábado o diário estatal “The Herald”.
“Os advogados (da comissão que investiga os telegramas no país) farão recomendações e eu lhes darei um tempo, mas asseguro à nação que serão tomadas medidas”, disse ao jornal o procurador-geral, Johannes Tomana, aliado de Mugabe e seguidor do partido governista.
Morgan Tsvangirai, líder do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), rival político de Mugabe e atual primeiro-ministro do Governo de coalizão, é uma das pessoas citadas nos telegramas do WikiLeaks.
Funcionários públicos próximos a Mugabe indicam que algumas declarações atribuídas a Tsvangirai nos telegramas seriam “traição” por parte dele. Nessas falas, o atual premiê teria pedido aos Estados Unidos que mantenham as sanções – atualmente em vigor – sobre Mugabe e cerca de 200 pessoas e empresas de seu entorno.
As sanções americanos começaram há uma década, devido às acusações feitas a Mugabe sobre violação dos direitos humanos e fraude eleitoral.
Elton Mangoma, tesoureiro adjunto do MDC, também é citado nos telegramas pedindo a potências ocidentais que subornem militares leais a Mugabe para que não influam na luta política.
O MDC minimizou a importância das correspondências vazadas pelo WikiLeaks, mas a Procuradoria Geral leva a crer que Mugabe e seus aliados pretendem utilizá-lo como arma política para as próximas eleições, anunciadas para 2011.