Os problemas de saúde causados por água parada, prescription animais em estado de decomposição e má alimentação no estado de Tabasco (sudeste) preocupam as autoridades locais e os desabrigados pelas fortes chuvas que alagaram a região, enquanto o Governo mexicano diz que a situação está sob controle.
Gripes, diarréias e infecções dermatológicas começam a se propagar na população de Tabasco, onde já tiveram início fumigações para evitar epidemias de dengue ou malária.
As dificuldades nesse assunto, que começam a ser sentidas na capital do estado, Villahermosa, são muito mais graves nos inúmeros povoados isolados, onde milhares de pessoas carecem de atendimento médico ou acesso medicamentos.
Um comboio de assistência sanitária preparado pelas forças de apoio da Polícia Federal mexicana e destinado a atender a cidade de Aztlan, a noroeste de Villahermosa, onde milhares de pessoas se encontram isoladas, teve de retornar hoje a sua base devido à impossibilidade de avançar por terra.
Viajavam no comboio três médicos e uma enfermeira que pretendiam prestar atendimento aos habitantes do local. A equipe levava ainda cerca de sete toneladas de mantimentos.
Mas as necessidades são tão urgentes que no mesmo local onde o comboio teve de parar foi improvisado um consultório, que atendeu em pouco tempo dezenas de pessoas.
Enquanto isso, o secretário (ministro) da Saúde do México, José Ángel Córdova, afirmava em entrevista coletiva na capital mexicana que a situação em Tabasco está sob controle, embora apontasse um risco de ordem epidemiológica que deve se manter por pelo menos mais três meses na região.
Córdova admitiu que o maior risco para a população de Tabasco está nas dezenas de animais mortos que começaram a aparecer com a queda do nível das águas.
A região “entrou em colapso” na semana passada, depois que intensas chuvas provocaram o transbordamento de represas e dos rios que rodeiam a cidade, o que inundou quase toda a capital de Tabasco, Villahermosa, assim como 70% do estado.
Hoje, 11 dias depois do início da crise, que tem como saldo em Tabasco três mortes – duas por afogamento e uma por pneumonia, segundo Córdova – 80 mil se encontram refugiados em cerca de 3.500 albergues e começaram os trabalhos de combate a riscos epidemiológicos.
Até o momento foram aplicadas cerca de 20 mil vacinas contra a hepatite A e outras 70 mil estão previstas com este fim. Também foram aplicadas cerca de oito mil contra o tétano e a difteria, entre outras doenças.
“Estamos promovendo toda a prevenção possível, há vigilância sanitária em 85% dos albergues, foi elevado o índice de cloro na água e fumegamos 400 albergues”, declarou Córdova.
As autoridades já iniciaram a construção de uma fossa gigante para enterrar os cadáveres de gado e de animais domésticos e que representam hoje o maior foco de infecções.