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Prisão de fuzileiro dos EUA por suspeita de latrocínio em Okinawa provoca indignação no Japão

Militar de 20 anos é acusado de matar moradora em hotel e roubar seus pertences, reacendendo críticas à presença americana na ilha

Redação Jornal de Brasília

05/10/2026 14h32

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Foto: Philip Fong/AFP

A polícia japonesa prendeu um fuzileiro naval dos Estados Unidos acusado de roubar e matar uma mulher em Okinawa, informaram autoridades no domingo, 4, em mais um caso criminal envolvendo militares norte-americanos na ilha do sul, onde a forte presença dos EUA é um tema sensível.

A polícia da província de Okinawa disse que deteve um militar de 20 anos, lotado na base aérea de Futenma, sob suspeita de matar uma moradora local de 39 anos em um hotel de Naha, capital de Okinawa, e levar sua carteira e mochila na madrugada de sábado, 3. A agência Kyodo, citando a polícia, informou que o corpo foi encontrado no quarto do hotel e que a vítima aparentava ter sido estrangulada.

Imagens de câmeras de segurança mostrariam um homem, apontado como suspeito, entrando no hotel com a mulher e saindo sozinho. Ainda segundo a Kyodo, um policial o prendeu após vê-lo caminhando sozinho no distrito de entretenimento de Okinawa City no fim da noite de sábado.

O recém-eleito governador de Okinawa, Genta Koja, afirmou que o caso causa grande choque e aumenta o medo entre moradores que já vivem ao lado de bases americanas. “É absolutamente imperdoável e estamos indignados”, disse. Koja acrescentou que as medidas de disciplina e treinamento das tropas, adotadas pelos EUA após casos anteriores, “não estão funcionando”.

Cerca de 50 mil militares americanos estão no Japão sob um pacto de segurança bilateral; aproximadamente metade em Okinawa. O papel estratégico da ilha ganhou peso na aliança Japão-EUA diante do aumento de tensões com a China, e o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi busca reforçar ainda mais a presença militar japonesa na região e aprofundar a cooperação com os EUA.

Takaichi declarou na rede X que o crime é “extremamente lamentável”, disse que o governo protestou junto aos EUA e exigiu máxima cooperação nas investigações, além de disciplina mais rígida e medidas preventivas para militares americanos. O chanceler Toshimitsu Motegi convocou o embaixador dos EUA no Japão, George Glass, e transmitiu “indignação”, segundo o Ministério das Relações Exteriores. Glass afirmou que os EUA cooperam com autoridades japonesas.

O Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA disse que o suspeito pertence à III Força Expedicionária de Fuzileiros em Okinawa e que está cooperando plenamente, afirmando esperar que todos sigam os mais altos padrões de conduta.

A base de Futenma, em área densamente povoada, é alvo de controvérsia há décadas. O projeto para transferi-la para Henoko na costa leste de Okinawa, aprovado pelo governo central apesar de protestos, enfrenta atrasos. Crimes envolvendo militares americanos alimentam queixas antigas dos moradores sobre ruído, poluição e segurança. 

Estadão Conteúdo

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