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Mundo

Primeiros casos de cólera em Mianmar; cadáveres apodrecem nos rios

Arquivo Geral

08/05/2008 0h00

Um número indeterminado de pessoas já morreu por cólera nas zonas devastadas pelo ciclone “Nargis” em Mianmar, price onde milhares de cadáveres continuam empilhados ou flutuam nas águas contaminadas após o desastre.

Testemunhas no delta do rio Irrawaddy informaram hoje que foram registradas as primeiras vítimas por cólera nas regiões de Bogalay e Laputta, duas das mais devastadas pela tempestade que assolou no sábado passado o sul do país.

Os desabrigados estão há dias sem água potável e diante da forte sede, chegam a beber água de rios e lagoas onde apodrecem corpos de seres humanos e animais, sem importar com o risco de contrair doenças.

Enquanto a ajuda internacional chega a conta-gotas por conta dos impedimentos da Junta Militar, os sobreviventes não dispõem de suficientes remédios para fazer frente a possíveis epidemias de cólera, dengue, diarréia crônica ou malária, que têm seu foco de proliferação em águas paradas.

As doenças, a sede e a fome são agora as maiores ameaças para o milhão e meio de desabrigados, segundo os dados das Nações Unidas, enquanto os números oficiais apontam para 23.000 mortos e mais de 42.000 desaparecidos.

Por outra parte, as autoridades se vêem impotentes para recolher os milhares de cadáveres amontoados ou que flutuam na lama, inchados pelo calor e a umidade, alguns deles em avançado estado de decomposição.

Os residentes fazem turnos para cremar os corpos segundo o rito tradicional birmanês, mas são tantos, que a força-tarefa não chega a queimar nem 40 por cada dia.

No entanto, desde que ocorreu a tragédia, os meios de comunicação locais, todos controlados pelo Ministério de Informação e Apuração da Imprensa, segundo seu nome oficial, continuam ocultando da população a gravidade e a magnitude do desastre.

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