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Mundo

Primeiro-ministro português tenta encerrar crise com presidente

Arquivo Geral

30/09/2009 0h00

As acusações de manipulação eleitoral entre o chefe de Estado português, o conservador Aníbal Cavaco Silva, e a chefia de Governo detonaram uma crise em Portugal que o primeiro-ministro do país, o socialista José Sócrates, tentou encerrar hoje.

Enquanto aguarda a convocação de Cavaco para discutir a formação de um Governo em minoria e no momento em que Portugal entra na campanha para as eleições municipais do próximo dia 11, Sócrates disse hoje que não quer “alimentar” nenhuma polêmica que “desgaste as instituições”.

Mas as chefias de Estado e de Governo de Portugal entraram ontem à noite em um confronto sem precedentes nos últimos anos por causa de uma já desmentida espionagem governamental sobre o presidente.

Praticamente todos os veículos de imprensa lusitanos deram espaço ao longo do dia para a “crise institucional” e a troca de acusações entre Cavaco, em mensagem televisionada, e o ministro da Presidência português, Pedro Silva Pereira.

Membros dos principais partidos também reagiram, alguns a favor de Cavaco, pela direita, e outros, à esquerda, com críticas a sua fala de ontem à noite. O Partido Comunista português considerou hoje que há uma “grande conflituosidade institucional”.

O presidente português denunciou que os socialistas tentaram manipular a campanha para as eleições legislativas do último domingo com o assunto da espionagem.

O ministro da Presidência lembrou que o caso foi uma grave acusação contra o Governo e foi divulgado por um jornal cuja fonte era um assessor presidencial demitido na semana passada por Cavaco.

O chefe de Estado se queixou das “pressões” e “mentiras” sobre o assunto, mas não confirmou que se sentia espionado e negou qualquer relação com os vazamentos à imprensa.

As palavras de Cavaco foram interpretadas pelo ministro como uma ratificação da tese socialista que todo o assunto foi uma “invenção” para atacar ao Governo.

Sócrates ressaltou hoje seu desejo de manter uma relação institucional “correta e adequada” com o presidente e de “que não seja necessário voltar ao tema”, que chamou de “lamentável”, mas não deixou de aprovar a resposta de seu ministro ao presidente.

Além disso, o primeiro-ministro pediu concentração “no que é importante para o país”, em alusão ao próximo Governo e às eleições municipais do dia 11, nas quais o Partido Socialista (PS) e o Partido Social-Democrata (PSD, centro-direita), os dois principais do país, voltam a se enfrentar.

As duas legendas enfrentam complexos desafios relacionados ao resultado das eleições de domingo, vencidas pelo PS com 36,5% dos votos – o partido perdeu a maioria absoluta no Legislativo português – e nas quais o PSD obteve um de seus piores resultados, 29%.

Sócrates espera formar Governo, mas nas últimas horas os dois partidos da esquerda marxista e da direita mais conservadora que completam o Parlamento reiteraram sua rejeição a se entender com o primeiro-ministro ou apoiá-lo em decisões como os orçamentos do Estado.

Irritado como nunca com o partido governante, Cavaco deve fazer as consultas para formar Governo “em função dos resultados eleitorais”, segundo a Constituição, embora o costume político estabeleça que convoque primeiro a legenda mais votada.

Sócrates manifestou sua intenção de continuar à frente do Governo logo após a confirmação da vitória eleitoral de domingo, mas tem como problema inicial a falta de apoio da esquerda portuguesa.

Além disso, o PSD e o democrata-cristão Centro Democrático Social-Partido Popular (CDS-PP), que concorrem juntos em muitas circunscrições eleitorais no pleito municipal, somam na apuração provisória 99 deputados frente a 96 do PS.

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