Em mensagem à nação, o maoísta Prachanda pediu o fim da “dualidade de poderes” criada “inconstitucionalmente”, em alusão ao presidente, Ram Baran Yadav.
Yadav reverteu neste fim de semana uma ordem prévia de Prachanda pela qual o chefe do Exército, o general Rookmangud Katawal, foi destituído.
O presidente disse ter tomado essa decisão a pedido dos partidos políticos nepalenses.
Prachanda acusou “alguns partidos políticos e centros de poder” de solapar a democracia e o processo de paz no Nepal, utilizando para isso o presidente, que, disse, atuou “inconstitucionalmente”.
Faltando clareza jurídica sobre quem pode destituir o chefe do Exército, se o primeiro-ministro ou o presidente, Prachanda optou hoje por renunciar ao mesmo tempo em que apelou ao povo para “se unir contra esta ordem presidencial, a fim de superar a crise e criar uma atmosfera que salve a democracia nepalesa”.
A cassação de Katawal, com quem Prachanda mantinha uma disputa nos últimos meses por causa de novos recrutamentos efetuados no Exército, levou o Partido Marxista-Leninista, principal parceiro dos maoístas na coalizão de Governo, a retirar seu apoio ao Governo.
Os marxistas-leninistas também pediram hoje a demissão do Executivo de Prachanda e a formação de um “Governo nacional”.
O Nepal só tem uma Constituição provisória, fruto do acordo de paz que a então guerrilha maoísta e o Governo assinaram em novembro de 2006.
Prachanda liderava o atual Governo desde o verão passado, após a vitória maoísta nas eleições de abril, e tinha pela frente o desafio de impulsionar a redação da Carta Magna e conseguir a integração dos antigos guerrilheiros no Exército.
Segundo se queixou hoje, não se deixou que seu Executivo funcione apropriadamente, com constantes greves por “assuntos menores” e bloqueios na Assembleia nacional.