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Mundo

Primeiro-ministro nepalês renuncia, após perder apoio de seus parceiros

Arquivo Geral

04/05/2009 0h00

O primeiro-ministro nepalês, salve Pushpa Kamal Dahal, conhecido como Prachanda, anunciou hoje sua demissão em plena crise de Governo, após seus principais parceiros retirarem seu apoio, por causa de sua decisão de destituir o chefe do Exército.

Em mensagem à nação, o maoísta Prachanda pediu o fim da “dualidade de poderes” criada “inconstitucionalmente”, em alusão ao presidente, Ram Baran Yadav.

Yadav reverteu neste fim de semana uma ordem prévia de Prachanda pela qual o chefe do Exército, o general Rookmangud Katawal, foi destituído.

O presidente disse ter tomado essa decisão a pedido dos partidos políticos nepalenses.

Prachanda acusou “alguns partidos políticos e centros de poder” de solapar a democracia e o processo de paz no Nepal, utilizando para isso o presidente, que, disse, atuou “inconstitucionalmente”.

Faltando clareza jurídica sobre quem pode destituir o chefe do Exército, se o primeiro-ministro ou o presidente, Prachanda optou hoje por renunciar ao mesmo tempo em que apelou ao povo para “se unir contra esta ordem presidencial, a fim de superar a crise e criar uma atmosfera que salve a democracia nepalesa”.

A cassação de Katawal, com quem Prachanda mantinha uma disputa nos últimos meses por causa de novos recrutamentos efetuados no Exército, levou o Partido Marxista-Leninista, principal parceiro dos maoístas na coalizão de Governo, a retirar seu apoio ao Governo.

Os marxistas-leninistas também pediram hoje a demissão do Executivo de Prachanda e a formação de um “Governo nacional”.

O Nepal só tem uma Constituição provisória, fruto do acordo de paz que a então guerrilha maoísta e o Governo assinaram em novembro de 2006.

Prachanda liderava o atual Governo desde o verão passado, após a vitória maoísta nas eleições de abril, e tinha pela frente o desafio de impulsionar a redação da Carta Magna e conseguir a integração dos antigos guerrilheiros no Exército.

Segundo se queixou hoje, não se deixou que seu Executivo funcione apropriadamente, com constantes greves por “assuntos menores” e bloqueios na Assembleia nacional.

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