A suspensão do Parlamento daria a Harper três meses de fôlego político e coincide com a realização dos Jogos Olímpicos de Inverno na cidade de Vancouver.
Nos últimos meses, a imagem do Governo canadense foi afetada dentro e fora do país por sua postura nas negociações sobre a mudança climática em Copenhague e por acusações de que entregou detidos no Afeganistão para que fossem torturados pelas autoridades de Cabul.
Entretanto, a suspensão das atividades do Parlamento é uma controvertida e incomum medida. Além disso, seria a segunda vez em dois anos que Harper a utiliza para evitar uma situação controversa.
Hoje, um dos líderes do Partido Liberal, o principal da oposição, Ralph Goodale, declarou que a suspensão seria “um incrível insulto à democracia”. Outros parlamentares opositores disseram que não há razões que justifiquem a suspensão e que é uma “fraude política”.
Em dezembro de 2008, Harper solicitou e obteve a suspensão do Parlamento quando três legendas da oposição – Partido Liberal, Bloco Quebequense e Partido Nova Democracia – anunciaram que formariam uma coalizão para derrubar o Governo do Partido Conservador.
À época, a suspensão do Parlamento, que tem que ser outorgada pela governadora-geral canadense, Michaëlle Jean (representante da rainha da Inglaterra, chefe de Estado do Canadá), provocou o colapso da coalizão e permitiu que Harper continuasse governando.
Porém, muitos especialistas constitucionais advertiram que a suspensão abria um grave precedente contra democracia canadense.
Agora, a suspensão do Parlamento também permitirá que Harper nomeie mais conservadores no Senado para que em março seu partido tenha a maioria na Casa.
A rede de televisão pública canadense “CBC” disse hoje que o porta-voz de Harper, Dimitri Soudas, não negou nem confirmou que o primeiro-ministro comparecerá hoje à residência da governadora-geral para pedir a suspensão das sessões do Parlamento.