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Primeiro grupo de sul-africanos brancos chega aos Estados Unidos

Um primeiro grupo de 49 sul-africanos brancos, a maioria famílias de agricultores, desembarcou no aeroporto internacional da Virgínia, procedente de Joanesburgo

Redação Jornal de Brasília

12/05/2025 18h49

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O primeiro grupo de africâneres da África do Sul a chegar para reassentamento ouve os comentários do Secretário de Estado Adjunto dos EUA, Christopher Landau, e do Secretário de Segurança Interna Adjunto dos EUA, Troy Edgar (ambos fora do quadro), após sua chegada ao Aeroporto Internacional Washington Dulles, em Dulles, Virgínia, em 12 de maio de 2025. O presidente Donald Trump defendeu na segunda-feira a decisão de reassentar um grupo de africâneres brancos nos Estados Unidos como refugiados, afirmando que eles estavam fugindo de uma “situação terrível” na África do Sul. Os comentários de Trump a repórteres na Casa Branca ocorreram poucas horas antes da chegada de um grupo inicial de cerca de 50 africâneres a um aeroporto nos arredores de Washington. (Foto de SAUL LOEB / AFP)

Um grupo de cerca de 50 sul-africanos brancos descendentes de colonos europeus chegou nesta segunda-feira (12) aos Estados Unidos, depois que o presidente Donald Trump lhes concedeu o status de refugiados como vítimas do que chama de genocídio.

Trump prometeu não apenas a expulsão em massa de imigrantes em situação irregular, mas também restringiu quase que totalmente a chegada de solicitantes de asilo. Uma exceção foi feita para os africâneres — descendentes de colonos europeus, principalmente holandeses e alemães —, embora a África do Sul insista em que eles não sofrem nenhum tipo de perseguição.

Um primeiro grupo de 49 sul-africanos brancos, a maioria famílias de agricultores, desembarcou no aeroporto internacional da Virgínia, procedente de Joanesburgo. Eles foram recebidos pelo número dois do Departamento de Estado, Christopher Landau, e por seu colega do Departamento de Segurança Doméstica (DHS, na sigla em inglês), Troy Edgar.

Trump disse hoje que eles fogem do que chamou de “situação terrível” na África do Sul, país onde nasceu seu assessor Elon Musk, o homem mais rico do mundo. O presidente americano considera que eles estão sendo assassinados e usou a palavra “genocídio”.

“Estendemos a cidadania a essas pessoas para que fujam dessa violência e venham para cá. São brancos, mas, para mim, não faz diferença se são brancos ou negros”, afirmou Trump.

– Negação –

O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, negou a acusação de que os africâneres são perseguidos e disse ter ressaltado isso a Trump por telefone.

“Um refugiado é alguém que tem que deixar o seu país por medo de perseguição política, religiosa ou econômica”, disse Ramaphosa. “Eles não se encaixam nessa categoria.”

“Somos o único país do continente onde os colonizadores vieram para ficar e nunca os expulsamos”, ressaltou o presidente, durante um fórum em Abidjan, na Costa do Marfim.

O chanceler sul-africano, Ronald Lamola, também negou que os africâneres sejam vítima de perseguição ou assassinatos.

A embaixada dos Estados Unidos em Pretória divulgou hoje seus critérios para o processo de solicitação de asilo: eles devem “ser capazes de mostrar uma experiência passada de perseguição ou medo de uma perseguição futura”.

O grupo de identidade africâner AfriForum registrou 49 assassinatos de agricultores em 2023 e 50 no ano anterior. O país registra uma média de 75 assassinatos por dia, dos quais a maioria das vítimas são jovens negros que vivem em áreas urbanas, segundo dados oficiais.

– ‘Além do absurdo’ –

Para o autor africâner Max du Preez, atribuir aos brancos o status de vítimas na África do Sul vai “além do absurdo”. “As pessoas que fugiram agora provavelmente foram motivadas por questões financeiras ou por falta de vontade de viver em uma sociedade pós-apartheid onde os brancos já não têm o controle.”

Os sul-africanos brancos, que representam 7,3% da população, desfrutam de um padrão de vida superior ao da maioria negra do país. Os governos liderados por africâneres impuseram um sistema de segregação racial que negou à maioria negra direitos políticos e econômicos de 1948 até a sua queda, em 1994.

A cooperação entre os Estados Unidos e a África do Sul passa por um momento de turbulência devido a vários temas, como a relação com a China e o pertencimento ao bloco Brics, além de os sul-africanos terem acusado Israel de praticar “atos genocidas” durante sua ofensiva militar na Faixa de Gaza, o que o governo israelense nega.

© Agence France-Presse

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