Equador e Venezuela assinaram hoje acordos energéticos e frisaram a importância da integração regional, store em um encontro presidencial no qual Quito condicionou sua entrada na Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) ao retorno de Caracas à Comunidade Andina de Nações (CAN).
O presidente do Equador, link Rafael Correa, health e seu colega venezuelano, Hugo Chávez, assinaram um documento para fazer avançar a criação de uma refinaria na província equatoriana de Manabí (oeste), a qual custará cerca de US$ 5 bilhões e processará 300.000 barris diários de petróleo.
Correa espera inaugurar as obras da unidade em 2008. A previsão é que a construção dure quatro ou cinco anos, e que, com mais investimento, a refinaria se torne um complexo petroquímico do qual mais países possam participar.
O presidente do Equador disse que esse complexo petroquímico não só estaria destinado a atender às necessidades locais, como também exportaria, sobretudo, para a Ásia.
Equador e Venezuela também assinaram um acordo no âmbito industrial e um memorando para a colaboração de Caracas na revitalização de um campo de petróleo, embora Correa espera esse mesmo tipo de ajuda a outros quatro poços operados pela estatal Petroecuador.
Correa disse que Chávez ofereceu o envio de duas brocas à petrolífera estatal. Com as máquinas, que deverão chegar em outubro e novembro, a estatal deverá elevar sua produção em cerca de 10.000 barris diários, para 180.000 barris ao dia, provavelmente a partir de janeiro.
“É assim quando existe irmandade entre os povos”, disse Correa, segundo quem a verdadeira integração, “a que supera a lógica mercantilista e o absurdo da concorrência, procura o benefício mútuo e a complementação”.
Chávez, que chegou na noite de ontem a Quito e que ainda hoje viaja para a Bolívia, ofereceu ao Equador toda a ajuda que estiver a seu alcance, assegurou que a união das nações as manterá livres e pediu para o Equador não perder mais tempo na concretização dos projetos que promoverão essa unidade.
Por sua vez, Correa destacou que a Venezuela é a que “mais impulsiona a integração energética na América do Sul” e “a que menos precisa dela, já que sua reserva de petróleo é 15 vezes maior que a de toda a América do Sul junta”.
O presidente equatoriano também disse que, em uma conversa privada com Chávez, falou sobre a possível entrada do Equador na Alba e pediu a seu colega e amigo que retorne à CAN, da qual a Venezuela saiu no ano passado em protesto contra os tratados de livre-comércio que Peru e Colômbia negociaram com os Estados Unidos.
Correa confessou que disse a Chávez que se a Venezuela voltar à CAN, o Equador, em seguida, ingressaria na Alba.
“Portanto, esperemos que, muito em breve, a Venezuela retorne à Comunidade Andina”, afirmou o chefe de Estado equatoriano, que acrescentou que Quito está analisando vários aspectos da Alba.
Em uma entrevista coletiva conjunta, Chávez disse que o retorno à CAN “não é impossível”, lembrou que a Vanezuela deixou o bloco por causa dos acordos comerciais de outras nações com os EUA e esclareceu que se sente parte da região.
O governante venezuelano disse ainda que, se os tratados da Colômbia e do Peru com os EUA fossem congelados ou anulados, “acabariam-se as causas” da retirada.
Porém, ressaltou que, mesmo se Lima e Bogotá “assinarem livremente” esses acordos, Caracas estaria disposta a participar de uma reunião com os cinco presidentes andinos “para conversar”.
Chávez disse esperar que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, convoque essa reunião, que deve ser “a portas fechadas”.
“Não é impossível que a Venezuela retorne à Comunidade Andina, como também não é impossível que entre no Mercosul”, ressaltou o governante venezuelano, ao assegurar, por outro lado, que a Alba é um “novo espaço, com novos paradigmas, novos horizontes”.
A Alba “não choca se com a CAN ou com o Mercosul, em nada”, disse Chávez.