Os três governantes da África Ocidental que na terça-feira reivindicaram na Costa do Marfim a Laurent Gbagbo que ceda a Presidência a Alassane Ouattara, são esperados nesta quarta-feira em Abuja para informar os resultados de sua missão ao presidente da Nigéria e da Cedeao, Goodluck Jonathan.
Como detalhou nesta quarta-feira à Agência Efe uma fonte da Comunidade Econômica dos Estados de África Ocidental (Cedeao), os presidentes Yayi Boni, do Benin; Pedro Pires, de Cabo Verde, e Ernest Bai Koroma, de Serra Leoa, advertiram Gbagbo que a organização poderia usar “a força legítima” para tirá-lo do poder.
Os três chefes de Estado, acompanhados pelo presidente da Comissão da Cedeao, Victor Gbeho, se reuniram com Ouattara, que consideram vencedor do pleito de 28 de novembro e presidente eleito da Costa do Marfim, e com o chefe da Operação das Nações Unidas no país (Onuci), Choi Young-jin.
A missão, encarregada aos três pela cúpula de chefe de Estado da Cedeao, não teve êxito, pois Gbagbo e seu Governo se negaram a deixar o poder e inclusive ameaçaram com uma guerra civil e com desestabilização dos países vizinhos se for utilizada a força contra eles.
De qualquer maneira, antes de partir de Abidjan, Pires, o presidente cabo-verdiano, declarou: possivelmente “teremos de voltar (…) em breve” à Costa do Marfim para conversar de novo com os dois lados.
Na terça-feira, enquanto os três presidentes visitavam Abidjan, em Abuja começava uma reunião do Comitê de Chefes de Estado-Maior da Cedeao, para estudar os detalhes de um possível desdobramento das tropas e assuntos estratégicos, táticos e logísticos que comportaria a eventual operação para tirar Gbagbo do poder.
A reunião, a portas fechadas, continua nesta quarta e os altos chefes militares têm “praticamente prontos” os planos para Ouattara no poder.
Após o segundo turno do pleito de 28 de novembro, a Comissão Eleitoral Independente deu como vencedor Ouattara, com 54% dos votos, mas Gbagbo não aceitou o resultado, validado pela Onuci.