O presidente interino da Tunísia, Fouad Mebazaa, propôs nesta quarta-feira à oposição um novo Governo de transição sem ministros do antigo regime em postos chaves, embora mantendo o primeiro-ministro, Mohamed Ghannouchi, à frente do Executivo, indicaram à Agência Efe fontes próximas às negociações.
As principais forças opositoras do país pediram a Mebazaa que retarde até esta quinta-feira o anúncio do novo Governo para analisar essa última proposta.
A proposta do presidente é tirar do Governo de transição ministros de peso nomeados pelo deposto Ben Ali, como o do Interior, Ahmed Fria, o de Exteriores, Kamel Morjane, o de Defesa, Rida Grira, embora queira manter dois ministros do regime anterior à frente dos departamentos de Indústria e Cooperação Internacional.
Igualmente, Mohamed Ghannouchi – premiê durante o período de Ben Ali e cuja saída do Governo reivindicam há dias milhares de manifestantes em todo o país – permanece à frente do Gabinete.
As fontes citadas indicaram à Agência Efe que a oposição continua negociando a criação de um “comitê de especialistas”, denominado “Conselho Superior de Defesa da Revolução”, situado acima do Governo e que se encarregaria de pilotar a transição até a convocação de eleições livres.
Entre os nomes para presidir esse Conselho figura o de Ahmed Mestiri, uma personalidade de considerável prestígio entre a elite política do país e que não suscitaria a rejeição popular.
Mestiri, de 85 anos, mas em plenas faculdades políticas, foi ministro durante o regime do primeiro presidente da Tunísia, Habib Bourguiba, mas abandonou o partido no poder então, o Neo Destour, em desacordo com seu autoritarismo.
Apesar do porta-voz do Governo de transição, Tayyip Bacuch, anunciou na terça-feira que a “nova composição” do contestado Governo de transição do país seria anunciado nesta quarta-feira, mas as fontes consideram que a comunicação deverá ocorrer nesta quarta-feira para dar tempo às negociações em curso.
Enquanto isso, as manifestações que exigem a saída do Executivo de todos os ministros do antigo regime, incluindo Ghannouchi, continuaram nesta quarta em todo o país.
Na cidade de Sfax, a segunda de Tunísia e considerada a capital industrial e econômica, que atualmente vive dia em greve geral, cerca de 40 mil pessoas se manifestaram pedindo a renúncia do Governo em plenário.