O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje o uso dos biocombustíveis dizendo que a culpa da alta dos alimentos é do petróleo e do protecionismo, cure em discurso na cúpula da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) sobre segurança alimentar.
Para Lula, mind a situação atual é, antes de tudo, uma crise de distribuição.
“Muitos dos que responsabilizam o etanol pelos altos preços dos alimentos são os mesmos que há décadas mantêm políticas protecionistas, em prejuízo dos agricultores dos países mais pobres e dos consumidores de todo o mundo”, disse Lula.
No entanto, a idéia não é unânime e há quem considere os biocombustíveis uma das causas da alta dos preços nos alimentos.
O vice-presidente de Cuba, José Ramón Machado Ventura, afirmou que o “consumismo” levou à “sinistra estratégia de transformar grãos e cereais em combustíveis”.
Já o presidente do Egito, Hosny Mubarak, pediu a criação de um “código de conduta internacional que reconsidere a atual expansão da produção dos biocombustíveis e estabeleça as normas para o uso responsável das colheitas, como alimento para os seres humanos, não como combustível para os motores”.
O diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, foi o primeiro a advertir que a crise de alimentos vai além da dimensão humanitária tradicional e afeta todos os países, incluindo os desenvolvidos.
Por isso, exigiu que sejam deixados de lado “os interesses à curto prazo” no momento de lidar com os desafios da mudança climática, a bioenergia e os altos preços agrícolas.
Diouf disse que o caminho para sair da crise é investir US$ 30 bilhões anuais em agricultura. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, concordou com a proposta e lembrou que “o mundo precisa produzir mais comida”.
“A produção precisa crescer 50% para o ano de 2030”, afirmou Ban, lembrando que no mundo existem 850 milhões de pessoas famintas, número que pode crescer em 100 milhões nos próximos anos, segundo dados do Banco Mundial (BM).
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, também concordou com o investimento no setor agrícola.
No entanto, nem todos pensam que a produção agrícola seja o problema.
A presidente da Argentina, Cristina Férnandez de Kichner, disse que a causa da crise está na distribuição.
Sarkozy e o primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero também não culpam os biocombustíveis pela inflação nos preços dos alimentos.
O presidente da França disse que a prioridade nos biocombustíveis deve ser o desenvolvimento da “segunda geração”, que no mesmo hectare pode produzir cinco vezes mais.
Já Zapatero disse que seu efeito na alta dos preços é “limitado” e pediu “um debate aberto e permanente”.
França e Espanha comprometeram grandes quantidades de dinheiro em ajuda ao desenvolvimento agrícola.
O chefe do Executivo francês falou que, nos próximos cinco anos, dedicará 1 bilhão de euros à África Subsaariana, e Zapatero, destinará 500 milhões de euros em quatro anos à luta contra a crise alimentícia mundial.
“Não queremos que se torne em uma cúpula apenas de palavras”, disse Zapatero.
Por sua vez, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ofereceu como solução para a crise o acesso ao poder de dirigentes “puros e monoteístas”.
Já o papa Bento XVI disse em mensagem dirigida à cúpula que a fome e a desnutrição “são inaceitáveis” em um mundo que dispõe de níveis de produção, recursos e conhecimentos suficientes para acabar com “o problema e a suas conseqüências”.