O presidente alemão, Horst Köhler, corrigiu o discurso feito no 20º aniversário da Revolução Pacífica em Leipzig, os trechos que falavam de tanques às portas da cidade e reservas de plasma sanguíneo para possíveis vítimas, após as desconfianças lançadas sobre as informações.
Segundo o gabinete do presidente, há dúvidas sobre a veracidade de algumas passagens do discurso de 9 de outubro, no 20º aniversário da manifestação que percorreu as ruas da cidade de Leipzig, com mais de 70 mil pessoas exigindo reformas à República Democrática Alemã (RDA).
A versão corrigida do discurso foi colocada na página da internet da Presidência alemã, justificando que as frases foram retiradas de um livro, infelizmente sem a devida comprovação da veracidade.
Um porta-voz da Presidência garantiu que vai revisar como os eventos ocorreram e explicou que as dúvidas apareceram depois da advertência de testemunhas.
O livro tomado como referência pelo presidente, “Die Friedliche Revolution Aufbruch zur Demokratie in Sachsen 1989/90″ (A Revolução Pacífica e a passagem à democracia na Saxônia 1989/90”), foi editado neste ano e é do escritor Michael Richter, que admitiu que vai verificar algumas informações.
Entre os que assistiram ao ato de Leipzig está a chanceler Angela Merkel.
A RDA tinha entrado em fase decadente pressionada nas bases por protestos do povo e também pela fuga maciça de cidadãos pela Hungria e pelas embaixadas da Alemanha de Praga e Varsóvia.
Em 18 de outubro, o chefe do Estado e do Partido, Erich Honecker, renunciou e passou o bastão a Egon Krenz.
Em 4 de novembro, meio milhão de pessoas protestaram em Alexanderplatz berlinense, a maior concentração extra-oficial da RDA, pedindo as reformas. Cinco dias depois, em 9 de novembro, caiu o Muro e 11 meses mais tarde a RDA foi absorvida pela Alemanha com o Tratado de Unidade.