O presidente iraniano, malady Mahmoud Ahmadinejad, cujo país é membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), disse hoje que a constante alta dos preços do petróleo no mercado internacional é “falsa e artificial”.
Ahmadinejad reafirmou que um dos principais motivos do aumento é o enfraquecimento do dólar, que segundo ele, “pode ser deliberado”.
“Ao tempo que o aumento do consumo é menor que o aumento na produção, e os mercados estão cheios de petróleo, vemos que o preço está subindo (…) trata-se de algo falso e artificial”, disse Ahmadinejad em reunião de representantes do Fundo da Opep para o Desenvolvimento Internacional, realizada hoje em Isfahan, centro do Irã.
O líder iraniano, em discurso na televisão, criticou os impostos sobre a energia nos países consumidores, e considerou “injusta a diferença nas receitas” de exportadores para a de consumidores do petróleo.
Por outro lado, exigiu mais uma vez que a Opep utilize em suas transações outras moedas que não a americana, uma proposta feita na cúpula da organização em novembro, em Riad, e que só foi apoiada pela Venezuela.
“A alta do preço da energia e a queda do dólar são duas faces de uma mesma moeda, e são as causas dos atuais problemas que o mundo atravessa”, acrescentou.
Ahmadinejad, cujo país é o quarto exportador do mundo, reiterou seu apoio a uma proposta do presidente venezuelano, Hugo Chávez, para a criação de um banco para acumular parte dos recursos financeiros dos países em desenvolvimento.
O Irã, entre outros membros da Opep, disse várias vezes que o fornecimento do petróleo é “suficiente”, e descartou um aumento na produção antes da reunião ministerial de setembro.
Da mesma forma, manifestou-se o representante do Irã na Opep, Mohamad al-Khatibi, que expressou a oposição de Teerã a um possível aumento da produção saudita, e disse que qualquer medida deste tipo deve ser adotada em coordenação com os demais membros da organização.
A Arábia Saudita aumentou sua produção em 300 mil barris diários em maio, mas o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse no fim de semana passado, em Jidá, que pode crescer ainda mais, em torno de outros 200 mil barris nos próximos dias.
Deste modo, a produção da Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo, chegaria a um total de 9,7 milhões de barris diários.
“Seria um passo errôneo”, disse Khatibi, referindo-se aos planos sauditas, e insistiu que “qualquer aumento deve ser estipulado na reunião ministerial” da Opep, segundo a televisão estatal.
Apesar de a Arábia Saudita dizer que as provisões são suficientes, o país considera “injustificável” a constante alta dos preços do petróleo.
No próximo dia 22, Jidá receberá uma conferência de representantes dos produtores e consumidores do petróleo.