O presidente, que saiu às ruas de Porto Príncipe hoje às 5h (hora local) para ver com seus olhos o ocorrido, concedeu uma entrevista à “CNN” às portas do aeroporto da capital, para onde seguiu para verificar o estado de uma estrutura fundamental para receber ajuda humanitária.
“A cidade está destruída. Os hospitais, os colégios, as casas. As ruas estão cheias de cadáveres”, relatou o presidente, que destacou que o Palácio Presidencial e sua própria casa desabaram com o terremoto.
“Não sei onde vou dormir esta noite. Mas isso não é um problema”, disse Préval.
“Ouvi que podem ser 50 mil (mortos). Outros dizem que centenas de milhares. A verdade é que não sei. É cedo demais para saber”, disse à “CNN”.
Segundo o presidente haitiano, a primeira necessidade do país é limpar as ruas de cadáveres e atender os feridos. “Não podemos levá-los aos feridos aos hospitais, estão cheios”, ressaltou.
Além disso, o Haiti precisa de equipes de resgate, artigos médicos e alimentos.
A isso se une o risco de novos desabamentos, um temor que levou a população de Porto Príncipe a acampar em ruas e praças.
Préval disse não temer que a situação nas ruas derive em um surto de violência devido à falta de água potável e alimentos.
“O povo entende a situação. Todo mundo está fazendo o possível para se ajudar”, declarou à “CNN”.
O terremoto aconteceu às 19h53 (Brasília) de terça-feira e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, com intensidade de 7 graus na escala Richter. O primeiro-ministro haitiano, Jean Max Bellerive, cifrou hoje em “centenas de milhares” o número de mortos.
O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 11 militares do país que participam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.
A brasileira Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, também morreu no tremor.