O presidente da República Dominicana, this web Leonel Fernández, shop acusou hoje o que chamou de “capitalismo de cassino” de impulsionar a alta do preço do petróleo e disse ser a favor de que se adote “mecanismos imediatos” para enfrentar a crise global.
Na sessão de abertura do 32º período de deliberações da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal)., que acontece até sexta-feira em Santo Domingo, Fernández criticou a “falta de regulação dos bancos de investimento ” que manejam “trilhões de dólares” nos mercados internacionais.
Segundo ele, os bancos “que utilizam fundos de investimento para comprar contratos a futuro nos mercados internacionais” têm sua parcela de culpa no atual panorama econômico mundial.
Para Fernández, é clara a desaceleração econômica mundial e, em particular, nos Estados Unidos, “que já entraram em uma situação de recessão que tem múltiplos efeitos na economia latino-americana”.
“Se nota a grande fraqueza do sistema global, que precisa de mecanismos imediatos relacionados com o funcionamento do sistema financeiro”, disse.
O presidente dominicano considerou necessária a solidariedade da América Latina e do mundo inteiro para enfrentar os efeitos derivados do preço do petróleo, que geraram tensões sociais e inclusive ameaças às democracias não só dessas regiões, mas também dos países desenvolvidos.
Nas atuais circunstâncias não é possível ocultar “que estamos em um dos períodos mais turbulentos e incertos em relação ao porvir imediato”, afirmou.
Nesse sentido, Fernández lembrou sua proposta de “criar um fundo de solidariedade global, nutrido com a contribuição de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países desenvolvidos”.
Ele estimou ainda ser necessário aumentar os fundos disponíveis das entidades multilaterais, após considerar insuficientes os US$ 10 milhões de ajuda ao Haiti estipulados na recente cúpula da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), realizada em Roma.
O chefe de Governo dominicano ressaltou a importância de aumentar as doações e criar mecanismos que permitam os desembolsos imediatos.
Além disso, se disse a favor da utilização “dos excedentes financeiros por parte dos países que estão se beneficiando com o boom petroleiro, para que esses fundos entrem nas políticas de desenvolvimento” dos países da região.
A reunião da Cepal começou com um discurso de seu secretário-executivo, José Luis Machinea, que colocou como prioridade a aplicação de subsídios e redução de impostos nos setores de menores recursos.
Também recomendou “que os bancos centrais sejam cautelosos em sua propensão a subir as taxas de juros” e defendeu o aumento das doações dos países desenvolvidos e a criação de linhas de crédito subsidiadas para nações em desenvolvimento com elevadas importações de energia.
“A emergência pela que passam vários países mostra que nosso tempo está passando. Devemos atuar já”, disse o responsável do organismo, que considerou que as políticas de renda e fiscais devem estar de acordo com a situação particular de cada país.
“Se for necessário elevar as taxas de juros, seria conveniente que essa medida fosse acompanhada de certas restrições às entradas de capital a curto prazo”, disse.
Machinea também defendeu uma “cooperação entre o setor público e o setor privado estável” que permita que se “consigam as taxas de investimento em inovação, ciência e tecnologia necessárias para criar verdadeiras oportunidades de avançar rumo ao desenvolvimento”.
Durante o 32º período de deliberações, a Cepal debaterá até a próxima sexta-feira sobre desenvolvimento econômico, social e regional da região, examinará as atividades dos dois últimos anos e fixará suas prioridades para os próximos dois.