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Mundo

Presidente do Irã menospreza pressões do Ocidente e adverte rivais políticos

Arquivo Geral

11/02/2008 0h00

O presidente iraniano, more about Mahmoud Ahmadinejad, menosprezou hoje as pressões de Teerã para que suspenda seus planos nucleares e disse a seus adversários políticos para “deixarem de usar seus meios de comunicação” contra a política atômica e econômica do Governo.


Em um discurso diante de milhares de pessoas, Ahmadinejad enumerou as “conquistas” nucleares e espaciais da Revolução Islâmica e anunciou que seu país lançará mais dois foguetes espaciais com um satélite de telecomunicações “antes do segundo semestre”.


O presidente também chamou de “pedaços de papel” as resoluções do Conselho de Segurança da ONU que exigem que o Irã abandone o enriquecimento de urânio, produto que pode ser utilizado tanto militarmente quanto em atividades civis.


A declaração de Ahmadinejad foi recebida com aplausos e gritos de “Alah Akbar” (“Deus é grande”, em árabe) pelos milhares de iranianos presente hoje na praça Azadi (Liberdade) em Teerã, para comemorar o 29º aniversário da revolução xiita que derrubou o regime monárquico pró-ocidental.


Ahmadinejad aconselhou os inimigos do Irã “a abandonarem a política da pressão e das sanções, porque isso não afeta os iranianos”.


Deu ainda outro conselho aos seus adversários políticos – os reformistas: “Digo aos que possuem meios de informação no interior (do país) para deixar de usá-los”.


Sobre as “conquistas” cientistas do Irã, Ahmadinejad lembrou que Teerã lançou “com sucesso”, uma semana atrás, o primeiro foguete espacial do país, e destacou que “os técnicos iranianos estão agora analisando os dados” que receberam.


“Vamos lançar dois outros foguetes complementares e esperamos, se for da vontade de Deus, pôr em órbita o primeiro satélite de fabricação nacional antes do segundo semestre”, declarou sob aplausos.


“Hoje em dia, a presença no espaço é uma necessidade para o orgulho de um país”, disse ao reiterar que os iranianos “não sucumbirão à arrogância e não renunciarão seu direito” de ter acesso à ciência e à tecnologia atômica.


As comemorações pelo 29º aniversário da Revolução Islâmica coincidem este ano com os preparativos para as eleições gerais, previstas para 14 de março, que acontecerão em meio a crescentes críticas internas à política econômica do Governo.


Vários comentaristas acham que as eleições, nas quais dezenas de reformistas não poderão participar devido à rejeição de suas candidaturas pela comissão eleitoral, serão um verdadeiro teste da popularidade da corrente ultraconservadora, de Ahmadinezhad.


O presidente não esperou o dia das eleições para convocar os iranianos a mostrarem em massa seu apoio aos “princípios da Revolução Islâmica”.


Ahmadinejad liderou hoje a manifestação pelas ruas de Teerã às 9h30 hora local (4h em Brasília), com palavras de ordem contra os Estados Unidos e Israel, antes de se dirigir à praça Azadi, no oeste da capital.


“Morte à América”, “Morte a Israel”, “Alah Akbar”, “Não há deus maior que Alá” e “A energia nuclear é direito nosso” são algumas das frases pronunciadas pelos manifestantes.


A televisão exibiu flashes ao vivo da passeata, assim como hinos e músicas patrióticas para que os iranianos saíssem às ruas, além de imagens dos primeiros dias da Revolução.


A rádio estatal transmitiu programas e comentários em que se afirmava, repetidas vezes, que “participando da marcha, os iranianos voltam a demonstrar sua lealdade à Revolução”.


Durante a manifestação, fotografias do atual líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, e do líder da Revolução e fundador da República Islâmica, aiatolá Rohula Khomeini, apareciam por todas as partes.

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