O presidente do Equador, order Rafael Correa, ironizou hoje o pretenso julgamento político no Congresso, que um deputado da oposição pretende instaurar contra ele por suposta “traição à Pátria”.
“Que o tente, pois tudo depende de vocês, o povo equatoriano”, desafiou Correa, um popular governante esquerdista, acusado de traição pelo deputado opositor Luis Almeida, que tenta angariar o respaldo de outros grupos parlamentares para instaurar o processo.
O presidente ironizou a iniciativa, e disse que seu Governo possui grande popularidade (acima de 63%, segundo pesquisas de opinião).
“Se conseguirem me tirar (do poder), não se preocupem, pois ficará o vice-presidente Lenin Moreno”, acrescentou, depois de assegurar que os embates da oposição poderiam aumentar até as eleições de 30 de setembro, quando serão designados os 130 representantes na Assembléia Constituinte, promovida pelo Governo.
“Até dá vergonha chamar de deputado uma pessoa como esta, como Luis Almeida. Até quando teremos estas pessoas surgindo do setor político equatoriano?”, recriminou Correa.
Além disso, o líder assinalou que, se as forças de esquerda vencerem nas eleições, a Assembléia poderia ordenar uma auditoria “a todos os deputados corruptos, que receberam dinheiro, tiveram enriquecimento ilícito, e responderam a interesses extremamente obscuros”.
Correa também descartou a hipótese de que a proposta de julgamento político contra ele afete a gestão, pois assegurou que o Congresso “está tão desprestigiado, que a iniciativa de Almeida é praticamente irrelevante”.
O presidente se disse confiante, e apresentou dados de uma pesquisa realizada por uma empresa independente estrangeira, sobre a popularidade do seu Governo, na qual 82% da população qualificava sua gestão “de boa ou excelente”.
Correa criticou vários meios de comunicação, especialmente os canais de televisão que, segundo ele, são controlados por grupos poderosos, banqueiros e ex-administradores de bancos acusados de roubar o Estado e seus clientes.
Segundo o presidente, caso a Assembléia Constituinte seja controlada pela esquerda, uma de suas tarefas será impedir que setores financeiros sejam proprietários dos meios de comunicação.