A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, afirmou nesta terça-feira (14) que não deixará seu cargo antes do tempo, enquanto a economia mundial enfrenta uma forte tempestade.
“Esta capitã não vai abandonar o barco”, disse Lagarde, após informações divulgadas no início deste ano segundo as quais ela poderia deixar o posto antes do fim de seu mandato, em outubro de 2027.
A zona do euro foi duramente atingida pelo choque energético provocado pela guerra com o Irã.
“Quando há grandes nuvens no horizonte, a capitã não abandona o barco”, insistiu em declarações à Bloomberg TV, à margem das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.
“Quando se observam grandes perturbações, uma redução do abastecimento de energia, quando se veem ameaças ao crescimento, riscos de alta para a inflação… esses são assuntos sérios aos quais devemos prestar atenção”, afirmou.
O jornal Financial Times publicou que, se decidisse sair antes do fim do mandato, Lagarde daria aos líderes da França e da Alemanha a oportunidade de escolher seu substituto antes das eleições francesas.
A eclosão da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã disparou os preços do petróleo e do gás, um pesado fardo para a zona do euro, que depende das importações de energia, e os economistas revisaram para baixo suas previsões de crescimento para a região.
Os analistas aumentaram suas apostas em uma elevação dos juros pelo BCE ainda neste mês, para manter a inflação sob controle.
Lagarde evitou se pronunciar sobre qual decisão o banco central poderá tomar.
A chefe do BCE também comemorou a vitória nas eleições húngaras do fim de semana do político pró-europeu Peter Magyar, que derrotou o líder nacionalista Viktor Orbán, e os sinais de que ele tem interesse em adotar o euro.
“Fico feliz que ele esteja considerando isso com uma abordagem muito positiva”, disse Lagarde, ao mesmo tempo em que ressaltou que o processo de adesão à moeda única pode levar algum tempo.
AFP