O presidente da Federação de Câmaras de Comércio e Indústria Venezuela-Brasil, José Francisco Marcondes, disse hoje que um eventual veto à entrada da Venezuela no Mercosul significaria “uma rejeição a todo um projeto de integração regional”.
A integração “não pode ser vista de um ângulo político, pois isso cria uma polarização desnecessária” que prejudica o clima para os negócios, disse Marcondes, sobre os intensos debates gerados pela proposta de que a Venezuela se una ao bloco formado por Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai.
A Comissão de Relações Exteriores do Senado voltará a discutir hoje a adesão da Venezuela ao Mercosul, que já foi referendada pelos congressos de Argentina e Uruguai, enquanto que no Paraguai foi retirada temporariamente da pauta parlamentar, já que não há um ambiente propício para sua aprovação.
O grupo parlamentar decidirá na próxima quinta-feira se aprova ou não o protocolo e, caso seja aprovado, será enviado para o plenário do Senado para uma última e definitiva votação.
O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), relator da comissão, pediu que a entrada da Venezuela seja rejeitada pelo atitude “autoritária” do presidente Hugo Chávez, a quem acusou de liderar “um processo de desmontagem das liberdades democráticas”, alheio ao espírito do Mercosul.
Apesar da opinião do relator, Marcondes disse estar convencido de que a adesão da Venezuela será aprovada no Brasil, e depois no Paraguai.
“Sem menosprezar o Paraguai, não posso acreditar que esse país seja um obstáculo, uma vez que Argentina, Uruguai e Brasil aprovem a entrada da Venezuela”, disse.
À sessão que acontecerá hoje no Senado foram convidados o prefeito maior de Caracas, Antonio Ledezma (de oposição), um representante da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) e o vice-presidente da comunidade judaica da Venezuela, David Bittan.
Ledezma antecipou que defenderá a entrada da Venezuela no Mercosul, pois considera que a adesão servirá para “conter” o presidente Chávez.
Segundo Marcondes, “é importante que um opositor venezuelano se manifeste a favor da entrada da Venezuela”, apesar de preferir que o fizesse por razões econômicas e comerciais mais que políticas.
“A integração deve ser vista como um projeto de longo prazo”, afirmou Marcondes, que disse que “quando o Mercosul foi criado, em 1991, as condições políticas também não eram as melhores em cada um dos países”.
Marcondes disse ainda que o ingresso da Venezuela ao bloco potencializaria ainda mais o comércio e os investimentos, e deu como exemplo o caso do Brasil, cujas empresas têm em desenvolvimento projetos de infraestrutura na Venezuela que cifrou “entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões”.
Já o comércio bilateral alcançou no ano passado um valor de cerca de US$ 6 bilhões, embora Marcondes tenha reconhecido que este ano cairá “entre 25% e 30%” devido ao impacto da crise financeira global.