O presidente da Somália, recipe Abdullahi Yousef Ahmed, anunciou hoje no Parlamento sua renúncia “após receber pressões por parte da comunidade internacional”.
Yousef, que permaneceu quatro anos à frente do Governo Federal de Transição (TFG), informou sobre sua decisão aos membros da Assembléia nacional por não cumprir com seu principal objetivo, a pacificação do país.
A nação africana, uma das mais pobres do mundo, vive em constante guerra civil desde 1991, quando o ditador Mohammed Siad Barre foi derrubado.
A crise política da Somália chegou ao fundo do poço em15 de dezembro, quando a Assembléia Nacional rejeitou a decisão do presidente Yousef de destituir o primeiro-ministro, Nur Hassan Hussein.
Apesar de os membros do Parlamento não aceitarem a destituição, pois segundo a Constituição somali o presidente não dispunha dos poderes suficientes como para poder substituí-lo, Yousef nomeou um novo primeiro-ministro, Mohammed Guled, deixando a Somália com dois primeiros-ministros interinos.
Poucos dias depois, Guled renunciou a seu posto e afirmou não querer mais se envolver nas disputas políticas do país.
A Somália fica assim sem seu maior líder em um momento no qual a milícia islâmica Al Shabab, que enfrenta o Governo Federal de Transição, conseguiu controlar boa parte do país.
Yousef, de 74 anos, foi eleito presidente da Somália em 10 de outubro de 2004 em Nairóbi para restabelecer a ordem no caótico país.
No entanto, durante seu mandato, Yousef teve numerosos choques com os membros de seu Governo e piorou o conflito com os islamitas ao permitir a entrada de tropas etíopes, apoiadas pelos americanos, no território nacional, para lutar contra os insurgentes.
Em duas semanas, período em que as tropas etíopes se retirarão definitivamente do país, o presidente do Parlamento assumirá a Presidência durante 30 dias, período após o qual se elegerá o novo líder.
É provável que Sheikh Sharif Sheikh Ahmed, ex-líder das Cortes Islâmicas e que agora lidera a oposição moderada, seja o próximo presidente da Somália, pouco após seu retorno ao país após permanecer dois anos no exílio.
Por telefone à Agência Efe, Sheikh Ahmed disse não querer fazer nenhum comentário sobre a renúncia de Yousef, embora admita que aceitaria o posto de líder “se o povo da Somália assim quiser”.