O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, promulgou nesta sexta-feira o novo tratado de desarmamento nuclear Start, ratificado esta semana pela Duma (Câmara) e pelo Senado russos, e destinado a manter a paridade nuclear com os Estados Unidos.
“Hoje assinei o documento do tratado Start”, assegurou Medvedev, citado pelas agências russas.
O chefe do Kremlin explicou que o tratado assinado por ele e pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em abril do ano passado em Praga, “entrará em vigor depois da troca das cartas de ratificação”.
“Isso deve ocorrer em breve. Acho que poderão fazê-lo os ministros de Exteriores durante um de seus próximos encontros. Já falei disso com o presidente americano”, disse.
Medvedev assegurou que o novo Start “determinará os parâmetros do corte dos arsenais estratégicos para os próximos dez anos”.
“Os americanos caminharam. Nós também completamos o processo. A partir de agora nos guiaremos por este documento, que determina o equilíbrio na cooperação estratégica e na paridade nuclear”, comentou.
Segundo a agência oficial “Itar-Tass”, a troca de cartas entre o chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, acontecerá no começo de fevereiro em Munique.
O documento, que foi ratificado em dezembro pelo Senado americano, obriga a redução em 30% do número de cargas nucleares, para 1.550 por país, e limita a 800 o de vetores estratégicos, como mísseis intercontinentais, submarinos e bombardeiros.
A Duma emitiu esta semana uma resolução especial em resposta às polêmicas cláusulas introduzidas pelos senadores americanos em seu projeto de ratificação.
O documento ressalta a vinculação jurídica entre armamento ofensivo – mísseis intercontinentais – e defensivos – sistemas antimísseis -, e a importância que estes últimos não minem a capacidade e eficácia do potencial ofensivo da outra parte.
E adverte que o desdobramento perto das fronteiras russas de elementos estratégicos do escudo dos EUA ou de outros países seria motivo para que a Rússia abandonasse o tratado, já que suporia “uma ameaça para a segurança nacional”.
Por outro lado, os deputados russos sublinharam que o tratado afeta todas as classes de armas estratégicas ofensivas de longo alcance, ou seja, não só as nucleares, como apontaram os senadores americanos.
A Duma também pediu aos EUA para retirar suas armas nucleares não estratégicas do território de outros países, interromper sua provisão a outras potências e desmantelar a infraestrutura de tal armamento fora de suas fronteiras.
O tratado, que segue a regra tácita da Guerra Fria – redução equitativa para manter a paridade nuclear -, não afetará o míssil balístico russo Bulava, que é capaz de enganar qualquer escudo antimísseis e que será produzido em série no final deste ano ou em 2012.
O tratado, que substitui o Start assinado em julho de 1991, quando a União Soviética ainda estava de pé, tem uma vigência de dez anos, mas pode ser prolongado de mútuo acordo por um máximo de cinco anos.