O presidente da China, Hu Jintao, iniciou nesta quinta-feira uma rodada de reuniões no Capitólio para apaziguar as críticas e temores dos legisladores americanos sobre as políticas de seu Governo.
No terceiro e penúltimo dia de sua visita aos Estados Unidos, Hu se reunirá com os principais líderes democratas e republicanos das duas câmaras do Congresso, que criticaram abertamente a manipulação do iuane e o histórico de violações de direitos humanos do Governo de Pequim.
Assim, o encontro com os legisladores estará centrado por assuntos relacionados a economia, comércio, segurança, e direitos humanos.
Do lado da Câmara de Representantes, a lista de legisladores inclui o seu presidente, John Boehner; o líder da maioria republicana, Eric Cantor, e o líder da minoria democrata, Nancy Pelosi, entre outros.
Do lado do Senado, as reuniões incluem o líder da maioria democrata, Harry Reid, e o presidente do Comitê de Relações Exteriores, John Kerry.
Na terça-feira, Reid chamou Jintao de “ditador”, embora depois reconhecesse que não foi a palavra mais adequada e retirou o comentário.
O líder chinês retorna a Washington enquanto os legisladores exigem correções na sua política econômica, em particular a manipulação do iuane que, segundo sua opinião, prejudica os exportadores americanos.
Na última quarta-feira, 84 legisladores dos dois partidos pediram ao presidente Barack Obama que pressionasse Jintao para que a China cumpra com suas obrigações internacionais dentro da Organização Mundial do Comércio (OMC), porque “a paciência dos EUA está se esgotando”.
Até o momento, o Governo de Pequim resistiu às pressões para acelerar a apreciação do iuane que, segundo os observadores, ajudaria a reduzir seu superávit comercial com os EUA.
Pequim anunciou nesta quinta-feira que o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 10,3% em 2010, acima das previsões de 9,2% e se situou em torno dos US$ 6 trilhões, um valor que superará os US$ 5,5 trilhões do Japão.
Portanto, é previsível que, quando divulgarem o dado japonês de crescimento do último trimestre do ano, previsto para 14 de fevereiro, China terá desbancado o Japão como segunda economia mundial.
Segundo as autoridades americanas, o superávit chinês com os EUA é de aproximadamente US$ 270 bilhões, enquanto as autoridades chinesas asseguram que em 2010 o número foi de US$ 181,3 bilhões.
O ministro do Comércio da China, Chen Deming, disse na quarta-feira que cerca de 99,9% do superávit comercial de seu país é com os Estados Unidos, embora assegurou que as exportações americanas a seu país continuarão aumentando durante este ano.
Em um encontro com jornalistas, Chen disse que seu país quer que Washington acelere a reforma de seu regime de exportações.
Concretamente, o Governo da China quer que os Estados Unidos flexibilize as restrições às exportações americanas de alta tecnologia ao país asiático.
Posteriormente, Jintao oferecerá um discurso perante empresários dos EUA e China, um dia depois que anunciasse um acordo de exportações de US$ 45 bilhões, incluindo US$ 19 bilhões em compras de produtos da empresa Boeing.
Jintao viajará depois a Chicago e voltará na sexta-feira à China.