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Presidente da Bolívia diz que país quer ser ponte do Brasil ao oceano Pacífico

Segundo o presidente da Bolívia, que ganhou as eleições no ano passado, o país vizinho pode ser um parceiro ainda mais importante para o Brasil, consolidando a sua entrada definitiva no Mercosul

Augusto Santos Verçosa

11/03/2026 15h45

rodrigo paz

Foto: AFP

DOUGLAS GAVRAS
FOLHAPRESS

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, defendeu uma maior integração com o Brasil e os outros países da região, para romper o que chamou de duas décadas de isolamento boliviano –em referência ao período no poder do MAS (Movimento ao Socialismo), de Evo Morales, encerrado com ele.

Paz, que ainda não havia falado a um jornal brasileiro, foi um dos convidados para a posse do novo presidente chileno, José Antonio Kast, que ocorreu nesta quarta-feira (11) em Valparaíso.

Segundo o presidente da Bolívia, que ganhou as eleições no ano passado, o país vizinho pode ser um parceiro ainda mais importante para o Brasil, consolidando a sua entrada definitiva no Mercosul.

“Na reunião no Panamá, ofereci os portos [fluviais] bolivianos ao vasto mar que é o Brasil, porque, em última análise, o que nos interessa é o desenvolvimento de nossas nações, e à medida que avançamos, os cenários melhorarão”, disse em conversa com a imprensa durante o evento de posse.

“Além do bom relacionamento, sentar à mesa não significa perder nossa identidade. Mas, uma vez sentados à mesa, um novo processo começa. Nossas nações merecem um futuro melhor”, afirmou o boliviano ao reforçar que o país andino poderia ser uma ponte para conectar os chilenos ao Mercosul, e o Brasil aos portos da Ásia.

Ele também disse que pretende mudar o papel da Bolívia na região, superando “interesses que já contribuíram para o isolamento do país por 20 anos” e combatendo o narcotráfico, o terrorismo e o financiamento ilícito de políticos.

Ao lado do argentino Javier Milei, do próprio Kast e de outros líderes da América Latina, Paz participou de encontro de presidentes da região que têm simpatia por Donald Trump, durante uma cúpula em Miami. Lula não participou, assim como também faltou à posse de Kast depois que o chileno convidou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu provável adversário nas eleições.

“A lógica da Bolívia é se tornar um importante integrador com suas cinco fronteiras”, disse Paz na saída do Congresso chileno. “E o Chile precisa de acesso ao extenso litoral brasileiro, enquanto o Brasil precisa de acesso ao vasto oceano Pacífico.

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