O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, rejeitou renunciar por pressão de Washington e pediu um diálogo entre iguais, em sua primeira entrevista nesta quinta-feira (9) a uma rede de televisão americana.
A ilha comunista está submetida a uma enorme pressão econômica e diplomática dos Estados Unidos, que mal permite o fornecimento de petróleo e exige uma transição política.
“Se o povo cubano entende que não estou capacitado para o cargo, que não estou à altura das circunstâncias, então eu não deveria ocupar a posição de presidente. Prestarei contas a eles”, declarou Díaz-Canel na entrevista com a NBC, segundo a tradução para o inglês de sua declaração.
“Mas não são os Estados Unidos que podem nos impor qualquer coisa. O governo dos Estados Unidos, que tem seguido esta política hostil contra Cuba, carece da autoridade moral para exigir qualquer coisa de Cuba”, acrescentou.
O presidente Donald Trump manifesta abertamente a ideia de “tomar” a ilha, e seu governo classifica o regime cubano como uma “ameaça” para a sua segurança nacional.
O secretário de Estado Marco Rubio, que tem origem cubana, assumiu pessoalmente as rédeas de uma negociação com a ilha e pediu mudanças políticas profundas daqueles que classifica como “dirigentes incompetentes”.
“Não têm autoridade moral nem sequer para dizer que estão preocupados com a situação do povo cubano e que o governo cubano levou Cuba a esta situação, quando toda a responsabilidade recai sobre seus ombros”, explicou Díaz-Canel.
As autoridades da ilha atribuem a crise aos efeitos combinados do endurecimento do embargo americano imposto em 1962, da baixa produtividade de sua economia e do colapso do turismo.
Contudo, Rubio negou recentemente que tivesse pedido a renúncia de Díaz-Canel.
“Pedimos […] realizar um diálogo e debater sobre qualquer tema sem nenhuma condição, sem exigir mudanças em nosso sistema político, assim como nós não exigimos mudanças no sistema americano”, explicou o líder cubano.
Esse diálogo, iniciado após o anúncio do bloqueio petrolífero dos Estados Unidos, é “muito preliminar”, indicou esta semana à AFP a vice-chanceler cubana Josefina Vidal.
Apesar da tensão bilateral, os Estados Unidos permitiram o desembarque de petróleo de um navio-tanque russo há dez dias.
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