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Mundo

Presidente argentina volta ao trabalho enquanto Néstor Kirchner se recupera

Arquivo Geral

08/02/2010 20h42

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, retomará hoje suas atividades oficiais depois da boa recuperação de seu marido e ex-presidente do país, Néstor Kirchner, após a cirurgia de emergência à qual foi submetido ontem por um problema na carótida.

“Néstor está muito bem, tão bem que cinco minutos antes de eu chegar aqui ele me ligou do celular”, explicou a presidente em um ato nos arredores de Buenos Aires.

“Agradeço a preocupação e o carinho de todos”, acrescentou Cristina, em sua primeira atividade oficial após a cirurgia do marido.

Kirchner, de 59 anos, completa “suas primeiras horas pós-operatórias evoluindo satisfatoriamente com todos os parâmetros normais”, informa um boletim divulgado hoje pela clínica Los Arcos, em Buenos Aires, onde ocorreu a cirurgia. O boletim era assinado por Luis Buonomo, médico pessoal do ex-presidente.

O paciente passou a noite “bem, sem inconvenientes”, afirmou o cirurgião Victor Caramutti, responsável pela cirurgia para retirar de Kirchner uma placa ulcerosa na artéria carótida direita.

Os médicos do entorno presidencial reagiram rápido no domingo e optaram pela operação horas após Kirchner sentir perda de mobilidade na perna e no braço esquerdos.

Este tipo de operação “é para evitar um acidente vascular cerebral. É como se adiantar, resolver logo o problema, é como operar um paciente do coração para evitar que infarte”, comparou Caramutti.

“Hoje em dia são operações de rotina, são produto da sociedade em que vivemos”, acrescentou.

O ex-presidente e atual deputado governista, que está na unidade de terapia intensiva reservada do hospital, recebeu a companhia durante boa parte da noite da mulher e dos dois filhos, instalados em uma sala especialmente reservada.

Pelo hospital passaram ontem à noite diversos ministros do Executivo e dezenas de militantes peronistas que aguardam ainda na porta do recinto para expressar seu apoio ao casal com cartazes com os dizeres “Força Néstor, a Pátria precisa de você” e “Vamos companheiro”.

Kirchner deverá permanecer em tratamento intensivo por mais um dia e não se sabe se receberá alta antes de 48 ou 72 horas. No entanto, a imprensa local assegura que o ex-líder pediu aos médicos para deixar a clínica o mais breve possível.

Não é a primeira vez que o ex-presidente, que governou o país entre 2003 e 2007, faz uma cirurgia de emergência.

Em 2004, Kirchner foi internado por seis dias em sua cidade natal, Río Gallegos (sul do país), por uma complicação relacionada ao cólon.

Um ano depois, uma revisão que o manteve várias horas internado gerou um novo alerta e no fim do mesmo ano, durante uma viagem pela Espanha, ele teve uma descompensação.

A complicação de Kirchner à época é similar às sofridas pelos ex-presidentes Carlos Menem (1989-1999) e Fernando de la Rúa (1999-2001).

Em outubro de 1993, Menem teve de ser operado com urgência por obstrução na carótida, recebeu alta quatro dias depois e em uma semana retomou as atividades.

Em junho de 2001, em plena crise política e econômica na Argentina, De la Rúa se submeteu a uma angioplastia por uma obstrução na artéria coronária direita e se recuperou em três dias.

Assim que receber alta, o ex-presidente poderá levar uma vida “totalmente normal”, mas “terá de controlar o estresse na medida do possível”, advertiu o médico.

Essa não será uma recomendação fácil do ex-presidente atender, considerado o “homem forte” do país e responsável pelas decisões importantes do Governo de sua esposa.

Kirchner tinha na agenda um ato no início de março para relançar sua carreira política e para reativar a ideia de voltar e concorrer pelo bastão presidencial.

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