A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, disse hoje que, ao impedir o uso de reservas do Banco Central para o pagamento de dívidas e a nomeação de um novo titular para a entidade, a oposição tenta destituí-la e desonrá-la.
“Estamos diante de tentativas de cassação evidentes por parte de alguns setores”, afirmou a presidente em rede nacional.
Cristina também disse que “nunca se viu tal desrespeito” pelo Governo e acusou a oposição de manter uma atitude de “vingança institucional” do “mais baixo nível”.
A presidente disse isso horas depois de a Justiça argentina suspender o decreto presidencial que autorizava o uso de reservas do Banco Central para o pagamento de dívidas a credores privados.
“As dívidas que esta presidente quer pagar, e vai pagar, com as reservas do Banco Central, de acordo com o que diz a Constituição, estão depositadas nas contas do Ministério da Economia”, afirmou a presidente.
Cristina também disse que a oposição, que obteve ontem o controle do Senado argentino após sete anos de hegemonia governista, só quer saber de atrapalhar.
Depois de assumir o controle na composição das 25 comissões do Senado, a oposição oficializou a recusa de Mercedes Marcó del Pont à frente do Banco Central por ter usado reservas monetárias para o pagamento da dívida.
“Querem que não paguemos o que outros contraíram como dívida. Acho isso um abuso de poder, porque quem tem a responsabilidade de administrar as finanças do país não são os juízes, e sim a presidente”, disse Cristina, qualificando a situação de “lamentável”.
Ela disse que, se recorresse a empréstimos internacionais para o pagamento da dívida, deveria ser condenada “por administração fraudulenta” contra os interesses do Estado.
“Atuo dentro da Constituição e das penas previstas por lei. Estou disposta a enfrentar a condenação de qualquer juiz, mas não a da história, que seria condenar a Argentina, mais uma vez, ao endividamento”, afirmou.
A governante assinou segunda-feira o agora suspenso decreto junto a outro, mais simples, segundo o qual seriam usados US$ 2,187 bilhões das reservas internacionais para pagar dívidas com organismos multilaterais de crédito. Porém, este não faz parte da decisão judicial.
Fernández derrubou o decreto assinado em dezembro para a criação do chamado Fundo do Bicentenário, que tinha US$ 6,569 bilhões de reservas monetárias previstas, que não foi à frente por supostos problemas judiciais que traria.
O Banco Central, que tem autonomia na Argentina, usou os US$ 6,569 bilhões no mesmo dia em que a presidente assinou a decisão, o que causou revolta na oposição.