A presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, confirmou hoje a remoção do economista Martín Redrado do cargo de titular do Banco Central por se negar ao uso de reservas monetárias para o pagamento de dívidas.
Em entrevista coletiva, Cristina anunciou que decidiu assinar o documento que “confirma a remoção efetuada pelo anterior decreto” de cessação, datado de 7 de janeiro deste ano.
A presidente reiterou que Redrado foi removido de seu cargo por “má conduta e descumprimento dos deveres do funcionário público”.
O nome sugerido por Cristina para substituir Redrado foi o do atual presidente do estatal Banco de la Nación, Mercedes Marcó del Pont.
Fernández confirmou a saída de Redrado depois que uma comissão parlamentar pediu ontem a destituição do economista.
Depois de resistir por três semanas no comando do Banco Central graças a uma ordem judicial que o reconduziu ao cargo, Redrado anunciou na sexta-feira passada sua renúncia, mas o Governo a rejeitou alegando que o processo de consulta ao Parlamento estava em andamento.
Cristina Kirchner disse que o “estresse” que o país viveu durante o último mês poderia ter sido evitado se houvesse um espírito construtivo por parte da oposição política, que recorreu à Justiça para barrar o decreto de remoção de Redrado.
A oposição também conseguiu que a Justiça deixasse em suspenso outro decreto presidencial, de dezembro passado, o qual ordenava a constituição do chamado Fundo do Bicentenário, com US$ 6,569 bilhões provenientes de reservas monetárias para o pagamento de dívidas soberanas.
A presidente argentina destacou que a sentença da comissão parlamentar foi decidida “por maioria, aconselhando a remoção do presidente Banco Central”
“Ou seja: fizemos hoje o que já tínhamos feito há um mês”, disse Cristina, ao reconheceu que a polêmica suscitada nas últimas semanas teve um “custo para a imagem” do país.
A presidente argentina também anunciou que criará um “conselho econômico”, cujo alcance não precisou e integrado pelo titular do Banco Central e o ministro da Economia, num “modelo similar ao que existe no Brasil e no Chile”.