GUILHERME BOTACINI
FOLHAPRESS
O primeiro-ministro do Haiti, Alix Fils-Aimé, fez uma crítica indireta aos Estados Unidos em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, nesta sexta-feira (25), ao pedir tratamento digno a migrantes.
“A proteção de uma fronteira e o respeito pela dignidade humana não são incompatíveis e precisam estar lado a lado”, afimou ele.
O Haiti vive há décadas um acúmulo de graves crises políticas e humanitárias e tem parte do país, incluindo quase toda a capital, Porto Príncipe, sob jugo de gangues armadas.
Com cerca de 12 milhões de habitantes, o país tem por volta de 2 milhões de emigrados e descendentes na diáspora, a maioria nos EUA, onde o presidente Donald Trump tem promovido deportações em massa e revogações de visto que afetam haitianos no país.
Este é o caso da revogação do chamado TPS, o status de proteção temporária criado sob o governo de Joe Biden para proteger haitianos que chegavam ao país.
O Haiti também tem sido alvo de desinformação e ataques do presidente e seus aliados. Em 2024, durante a campanha eleitoral, uma fake news de que imigrantes haitianos estariam roubando e comendo animais de estimação em Springfield, em Ohio, foi amplificada por Trump.
Fils-Aimé falou sobre responsabilidade compartilhada para resolução de crises e reforçou a situação grave de seu país. “Crises que são deixadas para apodrecer vão gerar deslocamentos e migração forçada”, disse.
Premiê do Haiti pede dignidade para imigrantes em recado a Trump
Primeiro-ministro afirma que segurança nas fronteiras e respeito à dignidade humana precisam estar lado a lado no tratamento aos migrantes
Foto: Clarens Siffroy/AFP