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Preço do cacau alcança seu nível mais alto em 32 anos

Arquivo Geral

16/12/2009 0h00

O preço do cacau alcançou na terça-feira, em Londres, seu nível mais alto em 32 anos, perante o temor que a produção na safra 2009/10 possa ser inferior à demanda pelo quarto ano consecutivo.

O mercado não viu um déficit tão prolongado do produto desde a escassez registrada no período 1965-69, segundo dados da Organização Internacional do Cacau (ICCO, na sigla em inglês).

A chegada dos especuladores ao mercado impulsionou a demanda. O preço do cacau para entrega em maio no mercado de futuros de Londres subiu a 2.290 libras (2.519 euros) por tonelada. Trata-se do segundo preço mais alto para esse tipo de contratos desde outubro de 1977 e supõe um aumento de 30% neste ano.

A maior preocupação, assinala o jornal “Financial Times”, é o chamado “harmattan”, o vento seco e poeirento que sopra do Saara a partir de janeiro.

Se o harmattan for forte, pode atrapalhar a floração, o que teria impacto muito negativo nas colheitas em Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões.

Outro fenômeno meteorológico que pode ter um impacto na produção é o El Niño, ou seja, o aquecimento das águas do Pacífico tropical que leva a seca aos países do sudeste da Ásia e produz chuvas torrenciais em algumas zonas da América Latina.

Segundo os meteorologistas, o El Niño, cujos efeitos vão durar até março e abril, poderia afetar negativamente a colheita na Indonésia, terceiro produtor de cacau do mundo, e Equador, o sétimo.

Segundo um especialista em cacau, Judith Ganes-Chase, consultada em Nova York pelo jornal britânico, como consequência desse fenômeno, a produção mundial de cacau poderia diminuir em mais de 5%.

Durante esse tipo de episódios meteorológicos, a produção indonésia de cacau cai normalmente 15% e a do Equador, ainda mais: em torno de 35%.

Os analistas consideram, além disso, que a atual escassez é um aviso sobre a produtividade decrescente das plantações de cacau, fenômeno que poderia influenciar fortemente nos preços em anos vindouros.

O problema, explica o “Financial Times”, é ainda pior na Costa do Marfim, país que produz aproximadamente 40% de todo o cacau do mundo.

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