A apenas sete semanas do início das primárias em Iowa, online os pré-candidatos democratas à Presidência dos Estados Unidos iniciaram uma disputa mais agressiva, com destaque para Hillary Clinton.
Todos os meios de comunicação americanos afirmaram hoje que a disputa entre os “pré-presidenciáveis” democratas entrou numa fase mais agressiva, após o debate da noite de quinta-feira em Las Vegas.
Os jornais também destacaram o contra-ataque protagonizado por Hillary. Segundo o “Washington Post”, a pré-candidata foi “muito mais agressiva” que em ocasiões anteriores. Já o “New York Times” disse que a senadora mostrou um tom “mais firme”. Para o “Wall Street Journal”, ela teve uma atuação especial numa “nova posição combativa”.
A senadora democrata por Nova York não teve um bom desempenho no debate que ocorreu no final de outubro na Filadélfia (Pensilvânia), quando apresentou respostas vagas e contraditórias a temas como o uso da carteira de motorista como identidade para os imigrantes ilegais.
No entanto, os assessores de Hillary já tinham afirmado que a pré-candidata chegaria a Las Vegas bem preparada para o debate.
Pela primeira vez, a senadora questionou diretamente as trajetórias políticas de Barack Obama e John Edwards, seus dois principais adversários. No mais puro “estilo republicano” criticou-os desqualificando os pré-candidatos..
Além disso, aproveitou para atacar o plano de cobertura de saúde de Obama, ao dizer que deixaria 15 milhões de pessoas sem atendimento médico. Também afirmou que Edwards não apoiou uma cobertura universal quando concorreu à Vice-Presidência em 2004.
Os altos custos médicos e a existência de 47 milhões de pessoas no país sem plano de saúde transformaram a reforma de saúde num dos temais mais importantes da campanha. Segundo pesquisas, os outros assuntos que se destacam são o conflito no Iraque, a economia e a segurança nacional.
Logo após ser criticado, Edwards reagiu e mencionou que não mudou de opinião em temas importantes – algo que, segundo ele, Hillary faz com freqüência.
“Não vamos afundar na lama”, disse o governador do estado do Novo México e também pré-candidato, Bill Richardson, para os adversários.
No entanto, segundo o professor de Ciências Políticas Charles Franklin, da Universidade de Wisconsin, os pré-candidatos democratas acabarão com a lama até o pescoço. Franklin prevê que a temperatura irá aumentar à medida que as primárias se aproximarem.
“As críticas serão, fundamentalmente, de Obama e Edwards para Hillary, porque sabem que se ela ganhar em Iowa será muito difícil recuperar terreno contra ela”, afirmou o professor.
O analista disse à Agência Efe que não se surpreendeu com o contra-ataque de Hillary. Segundo ele, a pré-candidata não é o tipo de pessoa que “aceitaria apanhar” dos adversários.
Para ele, se há uma lição que Hillary aprendeu durante a Presidência do marido, Bill Clinton (1993-2001), “é a que é preciso responder às críticas de forma rápida e direta e deve-se bater tão forte ou mais” do que os adversários.
As últimas pesquisas mostram que Hillary, Obama e Edwards estão praticamente empatados em Iowa, embora a senadora democrata lidere as intenções de voto em New Hampshire. Os dois estados dão início às primárias.
Após o debate de ontem, Hillary “aparece como a candidata mais competitiva”, afirma Mary Malone, professora da Universidade de New Hampshire.
“Não está claro se ela continuará na liderança”, diz a especialista. Malone considera que Hillary teve uma boa atuação na hora de argumentar que deveria ser a candidata escolhida.
Marc Hetherington, professor da Universidade Vanderbilt (Tennessee) afirma que é muito cedo para cantar vitória e adverte que ainda pode haver “grandes surpresas”.