O Executivo liderado por Yousaf Raza Gillani conta com 24 ministros, dos quais 11 são membros do PPP, legenda à qual também pertence o chefe do Governo.
O partido, vencedor do pleito de fevereiro, conseguiu os Ministérios de Exteriores e da Defesa, e também os que são relativos à Caxemira e às regiões tribais na fronteira com o Afeganistão, as mais sensíveis de todo o Gabinete.
Compõe também o governo Paquistanês a Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N) do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, segunda força no Parlamento, e dois grupos minoritários, além de um independente que representa as zonas tribais.
Nem o líder do PPP, o viúvo de Bhutto, Asif Zardari, nem Sharif, estiveram presentes na cerimônia de posse, o que também aconteceu quando Gillani foi empossado primeiro-ministro na semana passada.
O PPP administrará os Ministérios de Defesa e de Assuntos Exteriores por meio de representantes da província nordeste de Punjab, Chaudhry Mukhtar e Shah Mahmoud Qureshi, respectivamente.
Além disso, Qamar Zaman levou o Ministério de Assuntos da Caxemira e Áreas do Norte, e Najmudin Khan a pasta de Estados e Regiões Fronteiriças.
Em seu primeiro discurso, realizado no sábado passado, quando apresentou o programa para seus primeiros 100 dias de Governo, Gillani defendeu que se siga lutando com firmeza contra o terrorismo, mas apostou também no diálogo para que se deixe as armas, em declaração que gerou inquietação nos EUA.
Também falou em nome daqueles que chamou de “irmãos da Caxemira”, território que o Paquistão e a Índia disputam desde 1947, ao reivindicar uma solução para a disputa que leve em conta os “desejos e aspirações” do povo da região.
O PPP está também com os Ministérios da Justiça, chefiado pelo advogado de Zardari, Farouk Naek, e de Informação, que será dirigido pela antiga secretária de Benazir, Sherry Rehman.
Trata-se de dois ministérios fundamentais neste momento político, quando o Parlamento deve decidir sobre a restituição dos juízes do Supremo suspensos de seus cargos por Musharraf, além de aprovar a prometida nova lei de imprensa.
Os demais Ministérios assumidos pelo PPP são os do Trabalho, Água e Energia (setores em crise acentuada), Privatização e Portos, Controle de Narcóticos e Bem-estar da População.
Já o PML-N ficará com nove Ministérios: Comunicações, Educação, Comércio, Finanças, Petróleo e Recursos Naturais, Ferrovias, Desenvolvimento da Mulher e Cultura, Produção da Defesa e Assuntos Juvenis, Ciência e Tecnologia.
O Partido Nacionalista Awami (ANP), uma formação laica e pashtun da fronteira com o Afeganistão, ocupa os ministérios de Administração Local e Bem-estar Social, enquanto os islamitas do Jamiat Ulema-e-Islam (JUI) ficam com o da Habitação e Construção.
Este primeiro Gabinete, onde há duas mulheres e mais da metade dos integrantes se tornaram ministros pela primeira vez, será ampliado em duas fases no futuro, até chegar a 70 pastas, segundo fontes dos partidos citadas pelo canal local privado “Geo TV”.
Cabe destacar que no Gabinete não há um Ministério do Interior – que, segundo a imprensa, será dirigido por um conselheiro de Gillani – nem o controvertido Ministério de Assuntos Religiosos.
Gillani teve, ontem, um encontro com os ministros designados e comunicou a eles que devem “aderir ao programa de 100 dias” que expôs no sábado no Parlamento.
Também hoje, um membro do ANP, Amir Haider Hoti, foi eleito chefe do Governo da Província da Fronteira Noroeste paquistanesa, antes governada por uma aliança fundamentalista e que agora terá uma coalizão semelhante à do Executivo central.
Hoti anunciou aos deputados da Fronteira Noroeste que seu Executivo conversará com rebeldes para que larguem as armas.