A Polônia introduziu, na madrugada desta segunda-feira (7), controles fronteiriços temporários com a Alemanha e a Lituânia, em uma tentativa de reduzir a imigração irregular, mas garantiu que os suspenderá quando Berlim fizer o mesmo.
“Tomamos esta decisão para combater a imigração ilegal”, declarou na noite de domingo Tomasz Siemoniak, ministro polonês do Interior, que garantiu que ela não estava direcionada a cidadãos de outros países da União Europeia.
No total, foram instalados 52 postos de controle na fronteira com a Alemanha e 13 na fronteira com a Lituânia, durante um período de 30 dias renováveis.
Em princípio, tais controles nas fronteiras internas são proibidos dentro do espaço Schengen de livre circulação — do qual os três países fazem parte —, mas, em casos de ameaças à ordem pública ou à segurança, é possível implementar essas medidas de forma temporária.
Os novos controles são uma resposta ao sentimento anti-imigração crescente em ambos os lados da fronteira.
Segundo a Polônia, centenas de imigrantes, em sua maioria provenientes do Oriente Médio, cruzam mensalmente os países bálticos vindos de Belarus e, posteriormente, atravessam a Polônia para chegar à Alemanha.
Além disso, a Polônia acusa a Alemanha de devolver ao seu território os migrantes irregulares que consegue interceptar.
A questão tornou-se um tema especialmente delicado na política doméstica polonesa e provocou tensões com a Alemanha, que introduziu controles fronteiriços com a Polônia em 2013.
“Se a Alemanha suspender seus controles, nós também não demoraremos muito”, disse Siemoniak nesta segunda-feira em uma entrevista a quatro agências de notícias, entre elas a AFP, e pediu que os “problemas da imigração ilegal” sejam resolvidos “nas fronteiras externas da União”.
A imigração ocupou um lugar central nas eleições presidenciais realizadas em junho na Polônia, nas quais o nacionalista Karol Nawrocki — que se apresentou com o lema “Primeiro a Polônia, primeiro os poloneses” — derrotou por uma margem estreita o candidato apoiado pelo primeiro-ministro pró-europeu, Donald Tusk.
O governo do primeiro-ministro Tusk agora tenta se diferenciar de seus rivais endurecendo sua política migratória.
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