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Policiais protestam na Argentina por melhores salários e atenção à saúde mental

Cerca de 200 pessoas, incluindo oficiais aposentados e familiares, manifestaram-se queimando pneus em frente à chefia de polícia da cidade

Redação Jornal de Brasília

11/02/2026 7h09

Dezenas de policiais reivindicam melhorias salariais e atenção à saúde mental na cidade argentina de Rosário, em protestos que se prolongaram na madrugada desta quarta-feira(11) e continuarão durante o dia, anunciaram os manifestantes, descontentes com a resposta do governo local.

Cerca de 200 pessoas, incluindo oficiais aposentados e familiares, manifestaram-se queimando pneus em frente à chefia de polícia da cidade, a mais atingida pelo crime na Argentina, enquanto viaturas e motos soavam suas sirenes a poucos metros.

Entre as pessoas que faziam a vigília estava Néstor, um policial reformado de 68 anos que não revelou o sobrenome por temor de represálias e disse à AFP que seu neto, também policial, suicidou-se em maio de 2025.

Considerou que ele o fez “incitado por este sistema corrupto que existe, por tantas pressões, pessoais mas também institucionais: que o dinheiro não dá, que é preciso fazer bicos, que a gente tem uma família para sustentar”.

Entre o cheiro de borracha queimada, havia cartazes com inscrições como “sem salários dignos não há saúde mental” e outro em forma de cruz com cerca de vinte nomes de policiais que se suicidaram ou morreram em serviço, disseram manifestantes à AFP.

Após negociações que se estenderam até a madrugada desta quarta-feira com o governo provincial de Santa Fé (centro), Gabriel Sarla, ex-policial e advogado que atua como mediador pelos manifestantes, informou aos oficiais que não houve avanços significativos em suas reivindicações.

“Saímos meio cabisbaixos, de mãos vazias, porque o tema central, que era o tema salarial, não pôde ser tratado, não houve nenhuma proposta”, contou à AFP.

“Não vejo muitas caras felizes, então calculo que vai continuar como está no momento”, acrescentou sobre o protesto.

Em razão do protesto iniciado na segunda-feira, ao menos vinte agentes foram suspensos e receberam ordens para entregar suas armas e coletes à prova de balas. A revogação dessas sanções é outra das reivindicações.

Após as notícias de Sarla, os manifestantes formaram rodas e concordaram continuar com os protestos durante esta quarta-feira.

Conflito

Esteban Santantino, funcionário do Ministério de Justiça e Segurança da província de Santa Fé, disse aos jornalistas na noite desta terça que entende a reivindicação “legítima” e lamentou que, “no âmbito de este conflito”, os manifestantes careçam de um “canal de diálogo”.

Também disse que garante a “operatividade policial” para a segurança em Rosário, de 1,3 milhão de habitantes, mas ressaltou que não pode afirmar que há “total normalidade e que não há dificuldades”.

A insatisfação aumentou na semana passada após a morte do suboficial Oscar Valdez, de 32 anos, no mais recente de uma série de suicídios dentro das forças policiais de Santa Fé.

Dezenas de policiais, acompanhados por seus familiares, iniciaram o protesto entre a noite de segunda-feira e a madrugada de terça-feira, quando outro grupo de agentes da mesma corporação tentou dispersá-los e reprimi-los em meio a empurrões.

Coletes ao chão

O Ministério da Justiça e Segurança de Santa Fé apresentou um relatório à Justiça local, que está investigando os policiais afastados e outros colegas por irregularidades no protesto, informou o jornal local La Capital.

“Me disseram ‘você tem que vir entregar o colete, a credencial e a pistola’. Tenho 11 anos de serviço. Ganho 1.000.000 de pesos por mês [R$ 3.700 no câmbio oficial]”, disse Germán Acuña a vários meios argentinos, com seu colete nas mãos. “A luta continua.”

O ministro da Justiça e Segurança de Santa Fé, Pablo Cococcioni, advertiu na manhã desta terça que “utilizar a instituição policial para minar a política de segurança […] é cruzar uma linha que não vamos permitir”, disse.

Situada às margens do rio Paraná, a 300km de Buenos Aires, Rosário é a terceira maior cidade do país e um dos maiores portos agroexportadores do mundo.

Contudo, ficou conhecida pela violência do tráfico de drogas e ocupou manchetes na imprensa pelas ameaças a jogadores de futebol como Ángel Di María, Lionel Messi e seus familiares.

Com uma taxa de homicídios de 5,7 para cada 100.000 habitantes, Santa Fé lidera as estatísticas a nível nacional, mas encerrou 2025 com o segundo registro mais baixo desde 2014, de acordo com o Observatório de Segurança Pública da província.

AFP

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