As forças de segurança iranianas detiveram “vários estrangeiros” durante os sangrentos enfrentamentos com grupos da oposição durante a festividade religiosa de “Ashura”, anunciou hoje o ministro de Inteligência, Heidar Moslehi.
Sem detalhar a nacionalidade e o número de detidos, limitou-se a acusá-los de “fazer uma guerra psicológica contra o regime”.
“Existem vários estrangeiros entre os detidos no dia da Ashura. Entraram no país dois dias antes das celebrações”, explicou em declarações divulgadas pela televisão estatal.
O Irã está imerso em uma grave crise política e social desde junho, quando milhares de pessoas saíram às ruas do país para protestar contra a reeleição do presidente, Mahmoud Ahmadinejad, que a oposição considera fruto de uma “fraude maciça”.
Desde então, os protestos não diminuíram. A retomada mais violenta foi registrada no dia 27 de dezembro, no dia de “Ashura”, quando oito pessoas morreram, pelos números oficiais, nos confrontos entre as Forças de Segurança e grupos de manifestantes.
Ao todo, cerca de 500 pessoas foram detidas, das quais 300 permanecem presas, entre estas mais de 20 partidários da oposição.
Há uma semana, o próprio Ministério de Inteligência iraniana culpou os estrangeiros pela violência e grupos antirrevolucionários ligados ao movimento opositor no exílio “Mujahedin Khalq” (Combatentes do Povo), que Teerã considera terrorista.
O ministro iraniano de Interior, Mustafa Mohamad Najjar, voltou no domingo a acusar aos Estados Unidos, Israel e o Reino Unido de fomentar os distúrbios e lembrou que a partir deste momento a tolerância com os manifestantes será “zero”.
Por sua vez, o chefe do Poder Judiciário, o aiatolá Sadeq Larijani, prometeu que os acusados dos distúrbios em “Ashura” terão julgamentos “rápidos e contundentes”.