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Mundo

Polícia alemã frustra atentado e prende suspeitos da Jihad Islâmica

Arquivo Geral

05/09/2007 0h00

As autoridades alemãs conseguiram impedir um ato terrorista e deter três possíveis membros de uma célula da Jihad Islâmica: um turco e dois alemães convertidos ao islamismo que tinham recebido treinamento em um campo no Paquistão em 2006.

A promotora federal Monika Harms informou hoje que com os três homens foram apreendidos mais de 730 quilos de material para a fabricação de bombas, ed com os quais seria possível cometer um atentado mais devastador que os ataques contra Madri, troche em 2004, e Londres, em 2005.

Os três suspeitos pertencem à organização União para a Jihad Islâmica, teriam ligação com a Al Qaeda e pretendiam cometer atentados contra bases militares americanas na Alemanha, disse Harms em entrevista coletiva.

Segundo a promotora, o grupo estava sendo vigiado de perto desde o começo do ano por uma equipe que chegou a ter mais de 300 agentes.

Os três homens foram presos no começo da tarde de terça-feira em uma casa de veraneio de Oberschledorn, no estado da Renânia do Norte-Vestfália, quando começavam a manipular o material explosivo.

Apesar de as autoridades não terem fornecido dados pessoais dos presos, a imprensa alemã identificou os suspeitos como os alemães Daniel Martin S., de 22 anos (proveniente do Sarre), Fritz G., de 28 anos, de Munique, e Adem E., de 29 anos, da Turquia.

As mesmas fontes acrescentaram que Fritz G., suposto líder do grupo, tornou-se um ativista radical desde que se converteu ao Islã, no final dos anos 90, o que já havia despertado preocupação nas autoridades de Ulm devido à sua relação com um centro islâmico ultraconservador.

Os “jihadistas” já haviam chamado a atenção das autoridades no réveillon, quando foram detidos e posteriormente libertados por andarem próximos a uma base militar americana na localidade de Hanau. Na época, eles alegaram que estavam no local para ver os fogos de artifício.

Segundo o chefe do Escritório Federal Criminal (BKA), Jörg Ziercke, que parabenizou a eficácia de seus agentes, desde o momento que os suspeitos foram capturados na terça-feira, foram realizadas várias operações de revista em estados alemães.

O policial informou que os presos haviam conseguido obter 12 barris de plástico com peróxido de hidrogênio, material básico para fabricar explosivos, e detonadores militares, além de aparelhos eletrônicos usados para produzir artefatos e preparar atentados com carros-bomba.

O chefe do BKA ressaltou que os suspeitos foram vigiados tão estreitamente ao longo dos últimos meses que, em julho, os agentes conseguiram enganá-los e reduzir a periculosidade do conteúdo dos barris contendo peróxido de hidrogênio sem que os homens notassem.

Ziercke comentou que o material seria suficiente para preparar uma bomba com uma capacidade de destruição equivalente a 550 quilogramas de TNT.

No momento da prisão, um dos supostos terroristas conseguiu fugir pela janela de um banheiro. Após ser alcançado por um agente da unidade de elite GSG-9, o suspeito tomou a arma do policial e atirou na mão dele.

O homem ainda tentou resistir, mas os agentes conseguiram dominá-lo, ferindo-o levemente na testa, disse o chefe do BKA. Ele afirmou que a operação para deter os “jihadistas” foi desencadeada quando as autoridades comprovaram que pretendiam passar à ação.

A promotoria federal e o BKA destacaram que os alvos do grupo eram bases militares americanas na Alemanha – entre elas, a parte militar do aeroporto de Frankfurt e a base aérea americana de Ramstein. Mas ressaltaram que os suspeitos poderiam ter escolhido qualquer outro quartel ou centro militar dos Estados Unidos.

O ministro do Interior, Wolfgang Schäuble, comemorou o sucesso da operação e afirmou que a Polícia alemã trabalha bem e não descansa, referindo-se ao iminente aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA. No entanto, ele ponderou que tudo poderia ser coincidência.

A chanceler alemã, Angela Merkel, também qualificou a ação de “sucesso policial” e ressaltou que o episódio evidencia o “risco real” de atentados serem cometidos na Alemanha e a necessidade da ajuda internacional.

“O perigo terrorista não é abstrato, mas real”, afirmou. Ela disse que a operação que deteve a tempo esta célula foi devida à “efetividade dos investigadores”. Merkel disse ainda que as forças de segurança devem ser dotadas de “todas as possibilidades” para acompanhar estes casos.

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