Pelo menos quatro professores e uma criança de um orfanato nos arredores de Pequim ficaram feridos quando um grupo de pistoleiros atacou o local, patient tentando intimidar o diretor e forçar a sua demissão, revelaram à Efe dois voluntários espanhóis que trabalham na instituição.
Os pistoleiros, supostamente contratados pelo dono das terras onde fica o orfanato, queriam obrigar os trabalhadores e os órfãos a abandonar o local, no dia 13 de dezembro. Após uma acalorada discussão, eles agrediram crianças, professores e voluntários, contou Modesto Corderi, um dos voluntários.
“Incendiaram uma parte do edifício, bateram em professores e alunos e alguns tiveram que ser hospitalizados por vários dias. Um deles continua em observação, com ferimentos num olho”, relatou Corderi, acompanhado de outro voluntário espanhol, Carlos González.
O orfanato Escola de Luz e Amor acolhe cerca de 100 crianças menores de 14 anos. São órfãos, meninos maltratados ou com pais que não podem cuidar deles porque emigraram ou estão presos.
O diretor do centro, de sobrenome Shi, dedicou todas as suas economias a montar o orfanato. Ele tinha recebido cartas de um dos proprietários do terreno, exigindo que ele fosse embora.
Aparentemente, o terreno se valorizou nos últimos anos por estar no distrito de Shunyi, ao norte de Pequim, que receberá algumas provas dos Jogos Olímpicos de 2008. Os povoados camponeses estão dando lugar a condomínios de luxo e europeizados. Um deles, o Riviera, tem até um castelo imitando Versalhes.
Segundo Corderi e González, após o incidente a situação é de tensão. Mas pelo menos não houve mais pressões por parte dos proprietários, “sobretudo porque o local foi visitado pela televisão local”.
Aparentemente, o proprietário da terra alega que a instituição não conta com a documentação necessária para funcionar como escola ou orfanato. Segundo explicou Corderi, ao acolher crianças órfãs e outras que têm pais, o local está num “limbo legal”.
As tentativas de despejo forçado são um fenômeno freqüente em muitos lugares da China, gerando protestos sociais especialmente em zonas rurais pobres.