Os confrontos começaram após a oração de meio-dia da sexta-feira, page o dia sagrado para os muçulmanos, visit web quando milhares de partidários do Fatah se manifestaram em vários núcleos urbanos para protestar contra o controle que o Hamas exerce no território.
Os manifestantes gritaram palavras de ordem contra o movimento fundamentalista e atacaram edifícios que abrigam as instituições do Governo interino, proclamado há dois meses pelo deposto primeiro-ministro palestino e líder do Hamas, Ismail Haniyeh.
A Força Executiva, da qual fazem parte milicianos do Hamas, respondeu com tiros para o alto e bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral, além de deter dezenas de manifestantes.
Doze pessoas ficaram feridas nos confrontos ocorridos na localidade de Rafah, no sul de Gaza, enquanto os outros feridos correspondem a choques na Cidade de Gaza.
Entre os feridos está um fotógrafo freelance francês, que foi atingido por fragmentos de uma granada lançada por membros do Fatah contra milicianos do Hamas. Segundo fontes médicas, o francês, cuja identidade não foi revelada, foi atendido em um centro médico local. Ele tinha ferimentos leves.
As manifestações ocorrem depois que o Fatah – liderado pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas – pediu a seus simpatizantes em Gaza que não participassem da reza de sexta-feira nas mesquitas controladas pelo Hamas.
Milhares de partidários do Fatah atenderam ao pedido e assistiram às preces ao ar livre, depois das quais ocorreram os choques.
A Faixa de Gaza está em poder do Hamas desde junho, quando milicianos do grupo fundamentalista derrotaram as forças de segurança palestinas, leais a Abbas, que atualmente só conserva sua autoridade na Cisjordânia.
Após os choques, Abbas emitiu em Ramala, onde está o quartel-general da ANP, um comunicado no qual qualificou os manifestantes de “heróis”.
“A repressão dos manifestantes pretende impor uma ditadura e uma cultura do extremismo que se contradizem com os valores e a herança de nosso povo”, afirma o texto.
“Os eventos de Gaza demonstram que o golpe está perto de seu fim”, acrescenta o comunicado, em alusão à tomada do poder em Gaza pelo Hamas, que a ANP considera um golpe de Estado.
“Nosso heróico povo não será aterrorizado por esses mercenários”, afirmou Abbas, no que representa um claro desafio popular da ANP contra o controle político que o Hamas exerce em Gaza.
Os confrontos coincidem com a retomada, após sete anos de bloqueio, das negociações diretas entre a ANP e Israel, com o propósito de preparar a conferência de paz entre as duas partes que os Estados Unidos convocaram para ainda este ano.
A iniciativa, cujo objetivo é estabelecer as bases de um Estado palestino em Gaza e na Cisjordânia, conta com a rejeição do Hamas, que mantém nas linhas mestras de seu programa político o não-reconhecimento do Estado de Israel, a rejeição ao processo negociador iniciado em Oslo, em 1993, e o recurso à violência como instrumento político.