ANDRÉ FONTENELLE
FOLHAPRESS
A nevasca mais forte dos últimos oito anos paralisou parcialmente a França e outros países da Europa nesta quarta-feira (7), levando ao fechamento de estradas e aeroportos e à suspensão de aulas e do transporte público.
Em Paris, nevou das 7h às 11h locais (3h às 7h em Brasília). Na região metropolitana, foram registrados até dez centímetros de neve em alguns pontos. É muito aquém do recorde de 40 centímetros, registrado em 1946, mas o suficiente para causar transtornos.
Nenhum ônibus circulou na capital francesa de manhã. O metrô funcionou normalmente, mas houve atrasos nos trens suburbanos. O serviço do Eurostar, o trem de alta velocidade que liga Paris a Londres, foi suspenso. Nas autoestradas do país, os engarrafamentos somaram mais de 900 quilômetros.
Na França, na Bélgica e na Holanda, centenas de voos foram cancelados. À tarde, a França anunciou a reabertura total do principal aeroporto internacional, o Charles de Gaulle, enquanto no segundo principal, Orly, havia atrasos de até seis horas nas decolagens.
Na Suécia e na Dinamarca, a neve perturbou o transporte público nas grandes cidades. Na Europa Central, foram registradas temperaturas de até 24 graus negativos.
Apesar da previsão de aumento da temperatura nesta quinta (8), com máxima de 11ºC em Paris, o serviço de meteorologia francês alertou para possíveis ventos de até 140 quilômetros por hora no litoral noroeste do país. O fenômeno, provocado pela queda súbita da pressão atmosférica, é conhecido como “bomba meteorológica”.
“Antes de cada ida à praia ou à beira do mar, é fortemente recomendado consultar a previsão, não sair sozinho e informar aos próximos suas intenções”, afirmou um comunicado do governo francês para a região do Canal da Mancha.
O governo francês tem um sistema de quatro cores para indicar o grau de vigilância meteorológica: verde (sem vigilância), amarela (atenção), laranja (muita vigilância) e vermelho (vigilância absoluta). Na manhã desta quarta, estavam no grau laranja 38 dos 96 departamentos da França “metropolitana”, que exclui os territórios ultramarinos. À tarde, esse número caiu para 12.
Na segunda-feira (5), mesmo caindo menos, a neve já havia provocado acidentes na França, deixando cinco mortos. O governo foi criticado por ter subestimado a quantidade de neve prevista.
Segundo especialistas, o aquecimento global faz com que nevascas fortes sejam cada vez mais raras na maior parte da Europa. Além da tempestade recorde de 1946 em Paris, os episódios mais recentes remontam a 1966 (20 centímetros), 1987 (14 centímetros) e 2010 e 2018 (12 centímetros).