As petrolíferas que operam na Bolívia sugeriram hoje manter o contrato que o país tem com o Brasil para a venda de gás ao mercado brasileiro, como pretende fazer a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB).
O presidente da Câmara Boliviana de Hidrocarbonetos (CBH), o brasileiro José Magela Bernardes, disse à Agência Efe que o contrato com o Brasil “não deveria ser mexido” porque é um convênio de longa duração que “beneficiou e beneficiará a Bolívia por muitos anos”.
Ele considerou que, mais que uma modificação, a Bolívia deveria buscar uma flexibilização do contrato “por um período de tempo, ajustando-o às necessidades do próprio Brasil”.
“O que é importante é que a Bolívia possa dispor dos volumes dos quais o Brasil não precisa para outros mercados por um tempo previsível, por exemplo, seis meses, mas isto exigiria a flexibilização do Brasil”, afirmou.
A intenção do Governo de Evo Morales de alterar o contrato com o Brasil foi revelada na semana passada pelo presidente da YPFB, Carlos Villegas, que disse que a Bolívia não pode “viver na incerteza” como ocorre atualmente, aludindo à diminuição da demanda brasileira de gás.
O envio do hidrocarboneto ao Brasil oscilou entre os 21 e 30 milhões de metros cúbicos diários desde janeiro, enquanto o contrato de compra e venda estabelece um mínimo de envio de 24 milhões e um máximo de 31 milhões.
No fim de semana, o Governo boliviano disse que as perdas para o país pela queda do envio de gás ao Brasil somaram US$ 450 milhões entre outubro de 2008 e julho, pelo que espera diminuir em sete milhões de metros cúbicos diários o volume máximo fixado no contrato.
Magela Bernardes afirmou que um dos desafios da YPFB é conseguir que o tamanho do setor “cresça e seja sustentável no tempo”, para o que será necessária “a concretização de mais mercados para o gás natural, sem os quais não é possível vislumbrar um futuro de crescimento”.
Ele acrescentou que, com as mudanças produzidas na área após a nacionalização dos hidrocarbonetos, “o setor petroleiro vive um período de adaptação e de geração de confiança mútua entre os atores privados e estatais que leva seu tempo e que se deve focar o lado técnico”.