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Petróleo dispara 5% e fica perto de US$ 110 após Irã ameaçar novos ataques a instalações de petróleo

Possíveis ataques a instalações no Golfo impulsionam barril Brent e aumentam incerteza sobre economia mundial e decisões de juros

Redação Jornal de Brasília

18/03/2026 13h17

Foto: AFP

Foto: AFP

FERNANDO NARAZAKI
FOLHAPRESS

A ameaça do Irã de intensificar os ataques a instalações de petróleo em todo o Oriente Médio provocou a disparada do preço do barril Brent nesta quarta-feira (18).

O regime iraniano informou, por volta das 10h (horário de Brasília), que pode atacar refinarias e campos de gás na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Qatar nas “próximas horas” e recomendou que funcionários e residentes próximos às instalações deixem os locais.

Após o alerta, o preço do barril Brent saltou 5,59%, sendo vendido a US$ 109,73 (R$ 570,52), às 11h30, atingindo o maior valor em mais de uma semana. Em 9 de março, o contrato de maio chegou a alcançar US$ 119,46, o preço mais alto desde 29 de junho de 2022.

Depois disso, o preço do barril caiu e não havia ultrapassado a casa dos US$ 105 nesta semana. Nessa quarta, inclusive, o petróleo chegou a cair quase 3% no começo da sessão, sendo negociado a US$ 100,35, uma desvalorização de 2,96%, às 3h15, mas mudou a tendência com a divulgação de novos ataques dos EUA e Israel ao Irã, que revidou com bombardeios a vários países do golfo Pérsico.

Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, registra alta de 2,69%, a US$ 98,28 (R$ 510,98). Ao mesmo tempo, as Bolsas da Ásia fecharam em alta, mas as da Europa e dos EUA registravam queda, assim como o ouro.

Os preços do petróleo tombaram nas primeiras horas da sessão depois que o Iraque e as autoridades curdas concordaram em retomar as exportações pelo porto de Ceyhan, na Turquia, mesmo com o estreito de Hormuz virtualmente fechado pelo regime iraniano.

Porém a retomada de ataques dos EUA e de Israel ao Irã, que revidou bombardeando vários países do golfo Pérsico fez com que o petróleo subisse. A madrugada desta quarta-feira tornou-se uma das noites de violência mais espraiada pela região.

O regime iraniano realizou ataques em retaliação à morte do homem-forte do regime, Ali Larijani, na terça-feira (17), levou a uma madrugada de terror nos países do golfo Pérsico atacados por sediarem bases americanas. Em Israel, o uso de mísseis pesados deixou dois mortos em Tel Aviv.

O aeroporto de Dubai voltou a ser atacado e houve interceptações de mísseis e drones também no Kuwait, Bahrain e Qatar. Na Arábia Saudita, defesas antiaéreas derrubaram aviões-robôs perto da capital, Riad, e houve registro de ataques pontuais na Jordânia e no Iraque.

O conflito mantém a preocupação sobre o fornecimento de petróleo, já que os navios-petroleiros não conseguem passar pelo estreito de Hormuz, por onde trafega 20% da produção mundial de petróleo e gás.

“Se o estreito não reabrir… o Brent e o WTI acabarão sendo reprecificados para cima à medida que os estoques da bacia do Atlântico forem reduzidos e o mercado global for forçado a se ajustar a um nível de oferta materialmente mais apertado”, comentou Rebekah McMillan, gestora de portfólio associada de múltiplos ativos na Neuberger.

Com a permanência do preço do petróleo acima dos US$ 100, os analistas temem que a situação tenha consequência direta nas decisões sobre juros que serão anunciadas pelos EUA e pelo Brasil nesta quarta-feira. No dia seguinte, será a vez do BCE (Banco Central Europeu) e dos bancos centrais do Reino Unido e da Suíça anunciarem suas resoluções.

A expectativa é que as taxas de juros sejam mantidas, exceto no Brasil que deve ter um corte de 0,25 ponto percentual, mas que ficará abaixo do 0,50 ponto percentual que vinha sendo previsto até o início do conflito no Oriente Médio.

Todos os olhos estão voltados para a decisão do Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA), com atenção às projeções econômicas atualizadas -particularmente o “dot plot” de projeções de taxas dos formuladores de políticas- onde o risco é que eles possam não mais prever cortes de juros este ano.

Espera-se que o Fed mantenha a política estável, mas o debate agora se concentra em saber se o conflito com o Irã ameaça um crescimento mais lento, uma inflação mais persistente ou uma combinação de ambos.

O presidente do Fed, Jerome Powell, realizará uma coletiva de imprensa, com os mercados também atentos a qualquer sinal sobre se ele planeja permanecer no conselho após o término de seu mandato como presidente em maio.

“O consenso ainda aponta para o dot plot mediano mostrando um corte de 25 pontos-base para 2026, alinhado com a precificação atual do mercado”, disse Tony Sycamore, analista da IG. “Há uma chance razoável de que os dots possam se deslocar para uma posição mais hawkish, talvez até para zero cortes, se o comitê considerar que o choque do petróleo está levando a uma inflação mais persistente”, comentou.

BOLSAS SOBEM

As principais Bolsas do mundo registravam queda nesta quarta-feira, após o acirramento do confronto no Oriente Médio. Após abrir em alta, o índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, caía 0,76%, às 11h25, com as outras Bolsas do continente seguindo a tendência: Frankfurt (-0,79%), Londres (-0,82%), Paris (-0,17%), Madri (-0,18%) e Milão (-0,59%).

As Bolsas dos EUA estavam em desvalorização, depois de terem alta no pré-mercado. A Dow Jones perdia 0,88%, a S&P 500 estava em baixa de 0,69%, e a Nasdaq, 0,75%, às 11h25.

Já os principais da Ásia fecharam em alta, já que não foram impactados pelas ameaças feitas pelo Irã horas depois do encerramento do pregão. Na China, o índice CSI300, que reúne as principais companhias listadas em Xangai e Shenzhen, saltou 0,45%, e o índice SSEC, em Xangai, teve valorização de 0,32%. Mas os destaques na Ásia ficaram para Seul e Tóquio, que dispararam 5,04% e 2,87%, respectivamente.

O ouro também seguia o pessimismo do mercado e caía 2,84%, sendo vendido a US$ 4.865,01 a onça.

Os títulos do Tesouro dos EUA estenderam os ganhos após um sólido leilão de títulos de 20 anos. Os rendimentos dos títulos de 10 anos caíram 2 pontos-base para 4,1790%, sua terceira queda consecutiva, recuando de um pico recente de 4,29%. Os rendimentos de referência da zona do euro também caíram 2 pontos-base para 2,88%.

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