Na entrevista, thumb publicada hoje pelo “Financial Times”, Gabrielli confirma que esteve em negociações com o México.
Segundo o periódico, suas declarações podem ser um pouco decepcionantes para o Governo mexicano, que enfrenta uma crise crescente na indústria do petróleo.
A produção petrolífera do México, que foi durante muito tempo o alicerce de sua economia e que representa cerca de 40% da receita do Governo, está caindo muito mais rápido do que se esperava.
Em novembro de 2004, o México produzia em média 3,4 milhões de barris diários. No mesmo mês do ano passado, a produção caiu para 2,9 milhões de barris diários.
Segundo o jornal britânico, a companhia estatal mexicana Pemex precisa de dinheiro e da experiência técnica necessárias para viabilizar a extração de petróleo em águas profundas, área na qual a Petrobras é uma referência.
A Pemex está repondo sua produção atual com novas descobertas a um ritmo de 20%, o que é considerado muito em comparação às novas descobertas das principais multinacionais do setor.
Gabrielli não quis comentar na entrevista as sugestões de que sua empresa seria mais aceitável para os mexicanos do que uma companhia americana.
Segundo o executivo, os mexicanos tentam melhorar com plataformas petrolíferas para realizarem suas próprias operações, o que demonstra que “estão se movimentando”.
Na entrevista, Gabrielli afirma que existe “um acordo de múltiplos serviços para a produção de gás” e, “apesar de haver alguns que não têm a mesma opinião”, ele não considera que este acordo seja suficiente para uma “prospecção offshore”.
O executivo também falou da descoberta da Petrobras na Bacia de Campos, que pode ser a terceira maior do mundo. Segundo ele, a exploração está em fase inicial, mas as reservas podem ser “enormes”.
“Não podemos fazer um cálculo definitivo do volume de petróleo, pois as perfurações ainda continuam. A julgar pelas informações geológicas e sísmicas disponíveis, pode se tratar de uma reserva muito grande, mas ainda não sabemos”, declarou.
Segundo Gabrielli, o número de 33 bilhões de barris seria superior às reservas dos EUA, como publicou a revista americana “World Oil”.
“Nós somos os operadores, somos os únicos que dispomos da informação e só saberemos mais dentro de três meses”, afirmou o executivo.
Arthur Berman, autor do artigo da “World Oil”, disse ao “Financial Times” que o número de 33 bilhões foi estipulado, mas que sua suposição era bastante “verossímil”.
Berman usou um mapa da estrutura geológica para calcular o tamanho da região que poderia conter o petróleo, que ele acredita que seja cinco vezes maior que o campo de Tupi, uma descoberta da Petrobras também na Bacia de Campos que pode conter de cinco a oito milhões de barris de petróleo.
A Petrobras quer começar os teste no campo de Tupi no início do ano que vem e Gabrielli acredita que o primeiro barril de petróleo poderá ser extraído em 2010.