A Petrobras anunciou que vai começar, no início de 2010, os estudos prévios em busca por petróleo em águas profundas no Uruguai e garantiu que vai manter seus investimentos na Argentina, informaram hoje fontes ligadas à empresa.
“Apesar dos enormes recursos necessários para explorar as jazidas do pré-sal, os outros países da América do Sul seguem sendo uma prioridade para a Petrobras, e vamos manter nossos investimentos na região”, afirmou hoje o diretor da Área Internacional da companhia, Jorge Zelada, em entrevista coletiva no Rio.
O pré-sal é o horizonte de prospecção em águas muito profundas junto ao litoral brasileiro, no qual a Petrobras descobriu reservas que, nas áreas já conhecidas, podem chegar a um volume entre 50 e 80 bilhões de barris de petróleo, o que representa aproximadamente cinco vezes as reservas comprovadas brasileiras (14 bilhões de barris).
As novas reservas em águas brasileiras serão o destino da maior parte dos US$ 174,4 bilhões em investimentos que a empresa planeja realizar entre 2009 e 2013.
“Temos presença em todos os países da América do Sul e a intenção é seguir aumentando a participação. Nesta semana assinaremos o contrato para explorar em águas profundas no Uruguai, assumimos ativos de distribuição no Chile, nos manteremos na Argentina e temos projetos de prospecção no Peru”, afirmou.
Sobre as operações no Uruguai, o executivo explicou que os estudos sísmicos começarão a ser organizados após a assinatura, nesta semana, dos contratos com a Administração Nacional do Cimento Álcoois e Petróleo (ANCAP), do Uruguai.
A Petrobras (com 40%) integra um consórcio com a argentina YPF (40%) e a portuguesa GALP (20%), que assumiu as concessões para explorar duas áreas em águas profundas no Uruguai, na região de Punta del Este.
“Após a assinatura do contrato poderemos planejar os estudos sísmicos para o início de 2010. Também vamos comprar as informações que estejam disponíveis sobre essas áreas”, afirmou Zelada sobre as operações no Uruguai.
“O grande problema é que se tratam de áreas totalmente desconhecidas, sobre as quais há poucas informações. Não sabemos se as jazidas frente à costa brasileira se estendem em direção ao sul”, acrescentou.
Zelada disse ainda que, apesar de ter vendido no mês passado uma planta de adubos na Argentina ao grupo americano Bunge, a intenção da Petrobras é manter seus investimentos no país vizinho.
“A planta de adubos na Argentina foi vendida porque surgiu uma oportunidade para maximizar o valor da empresa e a aproveitamos. Mas não pretendemos sair da Argentina”, afirmou.
O funcionário assegurou que a empresa brasileira vai concentrar seus investimentos na Argentina, principalmente em prospecção e exploração, e negou que a empresa tenha perdido participação no mercado desse país.
“Nossa participação no mercado argentino é estável. O mercado como um todo encolheu, mas nossa participação se manteve”, assegurou.