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Peso e formato da carroceria podem agravar danos em acidentes com Tesla Cybertruck

Suas formas retilíneas, repletas de quinas, podem ampliar os danos em uma colisão, mas esse não é o único ponto.

Redação Jornal de Brasília

11/02/2026 23h33

germany automobile

Foto por INA FASSBENDER / AFP

EDUARDO SODRÉ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O acidente que resultou na morte de um motociclista em São Paulo chamou a atenção em meio às tragédias cotidianas do trânsito devido ao carro envolvido. A picape Tesla Cybertruck, veículo que chegou ao Brasil por importação independente, recebeu críticas desde que foi apresentada por Elon Musk, em 2019.


Suas formas retilíneas, repletas de quinas, podem ampliar os danos em uma colisão, mas esse não é o único ponto. Todo o marketing do veículo foi construído em torno da imagem de indestrutível, que não é pertinente diante dos avanços da indústria automotiva.


Os carros mais seguros disponíveis hoje são feitos para amassar por fora e manter a integridade por dentro. Há zonas de absorção de impacto que buscam mitigar os riscos à vida em caso de acidente, dissipando a energia da colisão.


Se ocorrer um atropelamento, o princípio também se aplica. As áreas com deformação programada podem evitar mortes e traumatismos.


Alguns veículos são mais letais que outros em caso de acidente, e essa questão não passa apenas pelo porte. Um SUV compacto moderno, tipo de veículo comum no Brasil, será menos agressivo que um hatch dos anos 1990 justamente por trazer mais itens de segurança ativa e passiva.


Porém, a evolução da tecnologia leva também ao aumento do peso, adicionando um outro ponto de preocupação à segurança viária. Um carro elétrico compacto como o BYD Dolphin Plus tem 1.658 kg, basicamente 200 kg a mais que o SUV médio flex Volkswagen Taos (1.456 kg). O problema é maior no caso da Cybertruck.


Além de ter uma carroceria mais rígida e com formas que podem potencializar os danos às vítimas de atropelamento, a picape da Tesla é 100% elétrica e carrega um grande volume de baterias, podendo chegar a três toneladas (ou 3.000 quilos).


Para comparar, uma picape Ford Ranger 2.0 XLS, que tem porte similar ao da Cybertruck e motor a diesel, pesa 2.183 quilos.


Quando se fala de um automóvel vendido por cerca de R$ 1,5 milhão no Brasil, sabe-se que o mesmo traz salvaguardas como frenagem autônoma de emergência e controles de tração e de estabilidade avançados. Entretanto, em situações que fogem do controle mesmo que o motorista esteja seguindo as regras de trânsito, a física se sobrepõe.


Nos crash tests realizados pela Administração Nacional de Segurança do Tráfego Rodoviário dos Estados Unidos (NHTSA, na sigla em inglês), a Cybertruck obteve boas notas em proteção aos ocupantes. A avaliação, contudo, não considera o que pode acontecer com pedestres, ciclistas ou motociclistas ao serem atropelados por esse veículo.

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