No atentado mais sangrento desde o assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, web pelo menos 22 pessoas, a maioria delas policiais, morreram nesta quinta-feira e cerca de 60 ficaram feridas em um ataque suicida em frente à sede do Tribunal Superior de Lahore, no leste do Paquistão.
O suicida, que conduzia uma moto, detonou a bomba às 11h43 (4h43 de Brasília), quando os agentes tentaram detê-lo, minutos antes que a realização de um protesto de advogados que se reuniram na sede da corte.
Embora o porta-voz do Ministério do Interior, Javed Iqbal Cheema, tenha informado que cinco pessoas morreram, fontes policiais e do hospital Mayo, garantiram ao canal de televisão “Dawn” que praticamente todas as vítimas eram agentes.
De acordo com uma fonte do hospital, foram atingidos pela explosão três pessoas que viajavam em dois carros, um motoqueiro, dois triciclos motorizados e uma carroça. A Polícia de Lahore afirmou que 19 agentes morreram no ataque.
As forças de segurança tinham sido deslocadas para a região para acompanhar a manifestação dos advogados contrários ao regime do presidente paquistanês, Pervez Musharraf.
O porta-voz de Interior disse que o ataque “era dirigido à Polícia”, e explicou que o Governo colocou as quatro províncias paquistanesas “em alerta vermelho”. A zona já foi isolada e os feridos foram levados para os hospitais mais próximos.
“Os agentes sabiam que não podiam deixar todo mundo passar no local, que era perigoso, mas não seguiram as ordens”, disse um advogado de Lahore.
Musharraf condenou o ataque, o primeiro de grande magnitude desde a morte de Bhutto, e ordenou uma nova investigação “minuciosa” para esclarecer o atentado.
Uma fonte do Governo da província de Punjab declarou que a cabeça do suicida já foi enviada para a Polícia para descobrir a identidade do terrorista.
O primeiro-ministro interino, Mohammedmian Soomro, também condenou o ataque e pediu a todos os hospitais da região que atendam os feridos “da melhor maneira possível”.
As autoridades de Punjab já anunciaram indenizações para os familiares das vítimas do atentado.
No dia 7 de janeiro, dois civis e oito soldados ficaram feridos quando um suicida detonou uma bomba em frente a uma base militar no vale do Swat, no norte, onde os ataques contra as forças de segurança são freqüentes.
No entanto, os atentados suicidas não são comuns na cidade de Lahore, capital cultural do Paquistão, perto da fronteira com a Índia.
O ataque acontece um dia antes do início do mês sagrado para os muçulmanos, o Muharram, durante o qual o Governo decidiu declarar 36 localidades das quatro províncias do país “sensíveis” ou em risco de violência e redobrar a vigilância nelas.
Após o assassinato de Bhutto, a Comissão Eleitoral decidiu adiar as eleições para depois do Muharram e fixou o dia 18 de fevereiro para a eleitoral.
A equipe de especialistas antiterrorismo da Scotland Yard continua investigando a morte da ex-primeira-ministra e hoje foi para Lahore. Eles analisarão a pistola de onde supostamente saíram os tiros que acertaram Bhutto.
» Atualizada às 11h05