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Mundo

PC cubano diz que, mesmo sem Fidel, ficará no poder

Arquivo Geral

03/08/2006 0h00

O presidente venezuelano Hugo Chávez anunciou na quinta-feira a retirada de seu embaixador em Israel por causa dos ataques ao Líbano e ao território palestino.

Chávez exigiu por várias vezes o fim imediato dos ataques, stuff buy information pills classificados por ele de agressão da "elite israelense" contra esses povos, para evitar que o conflito se estenda mundialmente.

O Partido Comunista Cubano informou na quinta-feira que vai permanecer no poder a despeito do que possa vir a ocorrer com seu líder, Fidel Castro, afastado depois de uma cirurgia intestinal. Seu irmão Raúl, indicado como presidente interino, continua sem aparecer em público.

Numa mensagem tipicamente crítica, destinada, segundo analistas, a dispersar temores sobre a transição de poder, o Granma, órgão oficial do Partido Comunista, publicou parte de um discurso que Raúl fez no dia 14 de junho a oficiais do Exército, o qual já havia sido publicado no jornal no dia seguinte. "Só o Partido Comunista pode ser o digno herdeiro da confiança que os cubanos depositaram no seu líder", disse Raúl naquele discurso.

Isso poderia ser um sinal, segundo analistas, de que Raúl buscará, uma vez no governo, mais consenso, talvez dando mais poder ao Politburo do que Fidel, um notório "workaholic", que sempre quer tudo à sua maneira.

Mas os habitantes da ilha, ansiosos para saber se Fidel retornará à boa forma e ao cargo, não viram nenhuma imagem pública nova dos irmãos Castro desde a transferência do poder, na segunda-feira.

Isso alimentou rumores em toda a América Latina de que Fidel já estaria morto. Apesar da calma que reina nas ruas de Havana, muitos cubanos disseram a jornalistas estrangeiros que gostariam que Raúl fizesse uma aparição pública para mostrar quem está no comando.

"Por que Raúl não veio falar? Isso que é necessário. Há uma calma assustadora aqui", disse um entregador da capital, que não quis se identificar.

Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, prometeu apoiar os esforços [dos cubanos] para construir um governo transitório, comprometido com a democracia.

"Vamos tomar nota daqueles que, no atual regime cubano, obstruem seu desejo por uma Cuba livre", disse Bush em uma nota.

Competente, não carismático.

Raúl, de 75 anos, é, há décadas, o sucessor designado de Fidel, que completa 80 anos no dia 13, e é o terceiro chefe de Estado há mais tempo no cargo em todo o mundo.

Analistas acreditam que a cúpula comunista pode ter concluído que, se Raúl aparecer cedo demais, poderá criar pânico entre os cubanos, a maioria dos quais nunca viveu sob outro governante.

"Se eu quisesse sugerir ao povo cubano que, no momento, temos tranqüilidade, continuidade absoluta e uma grande equipe no lugar mais do que nunca, a última coisa que eu faria seria uma transmissão nacional de TV num momento de crise", disse Hal Keplak, professor de História do Real Colégio Militar do Canadá.

Keplak, que está em Havana fazendo pesquisas, disse ter visto Raúl passando numa comitiva pela Praça da Revolução na quinta-feira, o que teria despertado grande curiosidade das pessoas. "Todos explodiram em aplausos e vários deram vivas", afirmou o pesquisador.

O governo norte-americano, que teme um êxodo de cubanos para os EUA caso haja instabilidade, manifestou-se com cautela. "A imposição de Raúl Castro nega ao povo cubano seu direito de eleger livremente o seu governo", afirmou em um comunicado Sean McCormack, porta-voz do Departamento de Estado.

Apesar da festa vista na Flórida após o anúncio da transferência de poderes, não há em Cuba sinais de inquietude popular ou de que o regime possa desmoronar, como aconteceu no comunismo do Leste Europeu.

Embora a vida dos cubanos tenha ficado mais difícil desde o fim da União Soviética e de Havana estar caindo aos pedaços, o partido ainda controla virtualmente tudo. Há muita insatisfação, mas a população ainda se orgulha da saúde e da educação.

Dan Erikson, analista da entidade Diálogo Interamericano, em Washington, disse que os cubanos talvez ainda tenham de esperar mais um pouco para saber quem será seu próximo líder. "Os líderes cubanos talvez estejam avaliando se Fidel está pronto para ser visto publicamente antes de permitir que Raúl apresente uma imagem mais forte" afirmou.

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