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Mundo

Partido do Governo e oposição empatados em apuração parcial oficial

Arquivo Geral

31/03/2008 0h00

A Comissão Eleitoral do Zimbábue começou hoje a divulgar os primeiros resultados sobre as eleições presidenciais realizadas no país, visit web nos quais o partido do Governo, Zanu-PF, e o opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC) estão empatados com 19 cadeiras cada um.

Os dados estão sendo divulgados pela Comissão Eleitoral central, sediada em um hotel da capital, e reproduzidas pelos meios de imprensa locais.

O partido opositor MDC antecipou que, segundo seus cálculos, seu candidato presidencial, Morgan Tsvangirai, recebeu 60% dos votos.

Em segundo lugar, de acordo com dados fornecidos pelo partido opositor, figura o ex-presidente e candidato à reeleição Robert Mugabe, no poder desde 1980, data da independência do Zimbábue.

O secretário-geral do MDC, Tedai Biti, disse que os números fornecidos pela Comissão Eleitoral correspondem a 128 jurisdições eleitorais, das duzentas existentes em todo o país.

Segundo Biti, a lenta entrega dos dados da apuração pode esconder uma tentativa do partido governante de alterar o resultado da votação.

“Estamos ansiosos esperando os resultados finais. Rezemos para que não volte a haver uma manipulação da vontade popular”, acrescentou o secretário-geral do MDC.

O partido opositor Movimento para a Mudança Democrática acredita ter obtido 96 cadeiras, das 128 circunscrições eleitorais contabilizadas em cálculos independentes do partido.

As autoridades eleitorais pediram ao MDC que deixem de proporcionar resultados não oficiais, destacando que somente a Comissão Eleitoral está autorizada a fazer isso.

Além de Tsvangirai e Mugabe, concorriam à Presidência o ex-ministro das Finanças e candidato independente, Simba Makoni, e o líder de um partido cristão.

Se nenhum dos aspirantes presidenciais obtiver mais de 50% dos votos haverá segundo turno que, caso ocorra realmente, seria o primeiro da história deste país.

O Zimbábue realizou pela primeira vez em sua história eleições presidenciais, parlamentares e municipais ao mesmo tempo.

Os resultados oficiais conhecidos até agora deixaram sem cadeira pessoas muito próximas ao presidente do Governo interino.

Entre eles, encontra-se o ministro de Assuntos Públicos, Chen Chimutengwende, que perdeu força em relação à oposição em uma região que se acreditava ser um dos redutos do Zanu-PF.

Também ficou sem cadeira o ministro da Justiça, Patrick Chinamasa, e há versões, ainda não confirmadas oficialmente, que até o vice-presidente, Joice Mujuru, perdeu sua cadeira.

A espera da apuração ocorre enquanto muitos habitantes deste país se inquietam entre a esperança e o temor de que o partido governante frustre os desejos de mudança.

O jovem Takaenda Mazara disse à Agência Efe que, se Mugabe for reeleito, fará as malas para se juntar a centenas de milhares de compatriotas que buscam novas oportunidades em países como Moçambique.

“Espero que a oposição ganhe para ficar no país, mas, se não, farei as malas e irei”, afirmou.

A gestão de Mugabe e seu Governo levaram o Zimbábue à pior crise econômica de sua história, com uma hiperinflação superior a 100.000% e um desemprego próximo a 80%.

Enquanto os resultados finais da apuração começam a ser divulgados, as forças policiais aumentaram nas últimas horas as patrulhas em Harare e nas cidades mais importantes.

Os chefes militares e policiais já advertiram que no Zimbábue não se repetirá a onda de violência que se suscitou no Quênia no final do ano passado por conta de eleições consideradas fraudulentas pela oposição.



 

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